A gula

Antigamente, na ceia de páscoa, algumas pessoas se alimentavam de saborosas iguarias dentro do limite. Por outro lado, outras pessoas não tinham a mesma retidão, ultrapassavam do limite. Em uma comunidade do Pinhões, interior de Juazeiro, um sujeito do olho maior do que a barriga comeu cinco pratos, isso porque afirmou que estava cheio, sem vontade de comer. Uma mulher que estava perto, não deixou por menos: devorou quatro pratos, bebeu e ainda pediu mais. Isso porque os dois são evangélicos e só se levantaram a mesa porque o dono da casa não tinha mais o que oferecer. Até um bolo que estava na mesa, deixaram pela metade.

Em outro lugar do município, Itamotinga, teve uma pessoa que passou o sábado comendo churrasco, feijoada e não parava de beber pinga e cerveja. O queixo não parava de balançar, parecia um jumento remoendo milho. À noite, antes de dormir a figura se arrebentou em mais outro prato. Ele deu na fraqueza, uma suadeira infeliz, botou tudo pra fora com cada olho arregalo e vermelho. Estava tremendo igual à vara verde. Os parentes por pouco não levaram para a UPA de Juazeiro.

Já outro não teve a mesma sorte, morreu engasgado. Por falar em pessoa engasgada, em Petrolina uma mulher quase que embarca, ficou sem ar depois de engolir um pedaço inteiro de carne. Ela passou a noite correndo para o sanitário.

Em alguns lugares do interior no Vale do São Francisco a gula antigamente não tinha limite para determinadas pessoas. Elas comiam bastante de não terem condições de sair da mesa caminhando.

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