TCE é acionado contra gasto de R$ 8,8 milhões da Alepe com gráfica às vésperas da eleição; direção quer gastar até R$ 3 milhões só com cartilhas e cadernos – veja detalhes

Chama atenção quantitativo de itens, especificações de acabamentos premium exigidos e a proximidade do período eleitoral; relator tem dez dias para analisar pedido

Do Blog Manoel Medeiros

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) instaurou nesta sexta-feira (5), a pedido do jornalista e economista Manoel Medeiros, um processo de medida cautelar para avaliar a suspensão da licitação promovida pelo comando da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) – marcada para o próximo dia 18 – com o objetivo de contratar até R$ 8,8 milhões em materiais gráficos, como cartilhas, cadernos, folders, panfletos, cordéis, adesivos perfurados, produzidos em alto padrão (acabamentos e utilização de materiais bastante requintados) às vésperas da deflagração do período eleitoral.

Sob direção de Álvaro Porto e Francismar Pontes, Alepe quer contratar até R$ 8,8 milhões em materiais gráficos Foto: Roberta Soares/Alepe

A Alepe revogou uma contratação de outubro do ano passado junto à Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), que já previa esses itens com valores mais baixos, alguns com até 136% de diferença, a exemplo de folhetos em papel couché 120g – 15cm x 21cm. Enquanto o valor de referência da licitação da Alepe prevê R$ 0,78 por unidade (sendo uma encomenda de 40,5 mil cópias), o valor do contrato com a Cepe para o mesmo material cobrava R$ 0,33 por 7,5 mil cópias.

Entre os itens da nova licitação, destacam-se 17.802 cadernos a um custo unitário que varia entre R$ 57,14 a R$ 63,61, totalizando um gasto máximo de R$ 1,027 milhão, e 124.740 cartilhas com valor entre R$ 10,80 e R$ 59,52, que representam uma despesa de R$ 1,92 milhão. Ambos são exigidos com acabamentos de alto padrão, incompatíveis com a economicidade de um poder legislativo que precisa prezar pelo zelo com os recursos públicos.

De acordo com a petição enviada ao órgão de controle de contas, também são levantadas questões como o quantitativo exagerado em meio a uma tendência de digitalização dos serviços públicos; a perspectiva de um aumento significativo de gastos com material gráfico em comparação com os últimos anos, demonstrando a inexistência de justificativa para o gasto; dos valores com indício de sobrepreço; do período eleitoral e das limitações de uso de material publicitário e, por fim, o histórico de contratações do poder público em Pernambuco envolvendo o setor gráfico.

Leia mais: Às vésperas da eleição, comando da Alepe abre licitação para contratar até R$ 8,8 milhões em materiais gráficos

MATERIAIS QNTD VALOR UNITÁRIO VALOR TOTAL
BLOCOS DE PAPEL 37.890 R$ 5,92 a R$ 124,98 R$ 627.422.40
CALENDÁRIOS DE MESA 12.600 R$ 20,01 R$ 252.126,00
AGENDAS PLANNER 3.942 R$ 67,74 R$ 267.031,08
CADERNOS 17.802 R$ 57,14 a R$ 63,61 R$ 1.027.409,22
ENVELOPES 261.000 R$ 1,83 a R$ 6,59 R$ 946.647,00
PANFLETOS/FOLDERS 639.763 R$ 0,36 a R$ 5,19 R$ 623.789,97
REVISTAS 16.200 R$ 59,27 R$ 960.174,00
CORDEIS 31.500 R$ 2,41  a R$ 5,15 R$ 119.069,50
CARTILHAS 124.740 R$ 10,80 a R$ 59,52 R$ 1.924.624,80
ADESIVOS 188.585 R$ 0,75 a R$ 274,10 R$ 653.934,60

De acordo com o histórico de atuações de órgãos de fiscalização no País inteiro, a contratação de serviços gráficos contém elementos sensíveis no que se refere ao combate à corrupção. Em Pernambuco, a Polícia Federal e o Gaeco do MPPE já deflagraram nos últimos anos algumas operações em torno de grupos empresariais ligados a ilicitudes cometidas a partir de contratos com o setor gráfico, que geralmente têm inserção em grupos políticos.

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