Uva do Vale do São Francisco amplia espaço na Europa com tarifa zero na exportação

As exportações de uvas frescas brasileiras para a União Europeia ganharam novo impulso com a entrada em vigor, em 1º de maio, do acordo provisório entre o Mercosul e o bloco europeu. A medida zerou as tarifas de importação que incidiam sobre a fruta, anteriormente entre 8% e 15%, ampliando a competitividade do produto nacional no mercado internacional.

O principal beneficiado é o Vale do São Francisco, localizado na divisa entre Bahia e Pernambuco, responsável pela maior parte das exportações brasileiras de uva. As primeiras cargas embarcadas com isenção tarifária partiram para Europa ainda em maio, abrindo uma nova fase para o setor frutícola da região.

De acordo com o Ministério da Agricultura, este é apenas o primeiro de uma série de embarques programados para os próximos meses. Além da uva, outras frutas produzidas no Brasil, como manga, limão, abacate e melão, também serão beneficiadas pela tarifa zero.

Na Bahia, o município de Juazeiro está entre os maiores beneficiados pela mudança. A cidade é atualmente a terceira maior produtora de uva do país e integra o polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, reconhecido nacional e internacionalmente pela qualidade de sua produção.

Os números refletem a força da atividade na região. Segundo dados do IBGE, a área cultivada com uvas no Vale do São Francisco passou de 9 mil hectares em 2014 para 18 mil hectares em 2024, representando um crescimento de 100% em uma década. Juazeiro está entre os municípios de maior destaque com 1,98 mil hectares cultivados.

A produção também segue em expansão. Em 2024, o Brasil colheu cerca de 1,13 milhão de toneladas de uva, sendo que aproximadamente 77% desse volume teve origem na Região Nordeste. O desempenho regional é impulsionado pelos elevados índices de produtividade. Enquanto a média nacional é de 31 toneladas por hectare, o Nordeste alcança 46,2 toneladas por hectare.

Pernambuco lidera o ranking nacional de produtividade, com média de 50 toneladas por hectare, seguido pela Bahia, que registra 32 toneladas por hectare, segundo dados do IBGE divulgados em 2025.

Com a abertura do mercado europeu em condições mais competitivas, a expectativa do setor é de aumento no número de embarques, expansão das vendas e fortalecimento da economia regional. Produtores e exportadores apostam que a tarifa zero consolidará ainda mais a posição do Vale do São Francisco como referência internacional na produção e exportação de frutas frescas.

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