Escândalos de corrupção, polêmicas e desgaste político ameaçam eleição de Rui Costa ao Senado
Casos envolvendo respiradores, contratos da Sufotur e embates com aliados voltam ao centro do debate público em momento decisivo às vésperas da campanha
Do Pombo Correio

Rui Costa acumula pressão política em meio ao avanço de investigações, controvérsias e embates com aliados do próprio partido político Crédito: Pedro França/ Agência Senado
A pouco mais de três meses das eleições, escândalos de corrupção, polêmicas e desgastes políticos passaram a colocar em xeque a candidatura do ex-governador da Bahia Rui Costa (PT), que pretende disputar o Senado nas eleições deste ano. Investigações que remontam à sua gestão, episódios recentes de confronto político e sucessivas controvérsias voltaram ao centro do debate público, ampliando a pressão sobre o petista neste período que antecede a campanha eleitoral.
O caso de maior repercussão continua sendo a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19. Em 2020, quando governava a Bahia presidia o colegiado de governadores, Rui Costa assinou o contrato para a aquisição de 300 respiradores, ao custo de R$ 48,7 milhões, com pagamento antecipado. Os equipamentos nunca foram entregues e os recursos públicos não foram recuperados.
Recentemente, a Procuradoria-Geral da República pediu que a investigação retorne ao Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que há indícios de crimes cuja suposta ocultação de valores teria se estendido ao período em que Rui ocupava cargo com foro privilegiado.
Em 2022, em depoimento concedido por Rui à Polícia Federal num inquérito em que a corporação realiza junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-governador justificou que um dos motivos que o fez liberar a contratação da Hempcare, microempresa de importação de produtos à base de maconha, deveu-se ao fato de ele não dominar a língua inglesa, em que hemp significa maconha e care, cuidado.
Outro episódio que voltou a gerar desgaste envolve as investigações sobre contratos da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur), cujas revelações recentes chamaram a atenção para os fortes indícios de irregularidades.
Embora as apurações tenham sido reveladas já na gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), parte dos contratos e procedimentos administrativos investigados teve origem ainda no período em que Rui Costa comandava o Governo da Bahia. Reportagem da TV Bahia apontou suspeitas de superfaturamento em cachês pagos com recursos públicos entre 2015 e 2024.
Segundo a reportagem, os gastos da Sufotur chegaram a R$ 1,84 bilhão até 2026. A receita da autarquia teria saído de R$ 79 milhões em 2019 para R$ 623 milhões em 2024, crescimento de quase 700%. Ainda conforme a apuração, quatro produtoras receberam, entre 2023 e 2025, 641 pagamentos que somaram mais de R$ 58 milhões.

As investigações colocam no centro das atenções o ex-superintendente da Sufotur, Diogo Medrado, nome de confiança de Rui Costa. Em função dos indícios de irregularidades apontados pelo TCE, Medrado teve as contas de 2019, 2020 e 2021 desaprovadas pela Corte.
Turbulência política
A tudo isso se soma ao inferno astral vivido por Rui Costa na política. O ex-ministro ficou mais de três anos à frente da Casa Civil de Lula e, ao longo deste período, acumulou desavenças com colegas de outros ministérios, polêmicas com a imprensa e atritos públicos com aliados, o que tornou Rui persona non grata em Brasília.
Logo no início do mandato de Lula, Rui gerou forte mal-estar político ao classificar Brasília como uma “ilha da fantasia” que desconecta os políticos da realidade do restante do país. A declaração provocou diversas declarações da classe política. Ele também passou a evitar a imprensa e a fugir do assunto, prática já comum durante seus mandatos como governador e que foi amplamente criticada pela mídia nacional.
Rui passou a ter diversos atritos com os aliados, como o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com quem as brigas foram frequentes. A situação provocou o aumento da rejeição de Rui Costa até mesmo dentro do PT.
Na Bahia, o ex-ministro fez diversas articulações para tirar o governador Jerônimo da disputa pela reeleição, mas teve sua ambição impedida por seus próprios aliados. Viu, ao longo do governo de Jerônimo, seus poderes diminuírem com a saída de pessoas ligadas a ele em diversos postos.
O conjunto desses episódios ocorre num momento sensível para a base petista na Bahia, na qual o outro pré-candidato do grupo, Jaques Wagner, é centro das atenções devido à investigação da Polícia Federal, por meio Operação Compliance Zero. O episódio ocorre em meio a um conflito interno entre Wagner e Rui. Embora aliados políticos, informações de bastidores apontam que os dois ex-governadores da Bahia não possuem boa relação.
Mansão de luxo
Recentemente, Rui Costa tem visto sua vida de luxo ser exposta após, insistentemente, fazer provocações contra adversários políticos. O ex-ministro Rui Costa mora num apartamento na Mansão Bahiano de Tênis, na Avenida Princesa Isabel, no bairro da Graça, um dos metros quadrados mais caros de Salvador. Em uma rápida busca na internet, é possível observar que apartamentos na mansão são vendidos por pelo menos R$ 10 milhões.
Rui pagou pelo imóvel, em 2022, R$ 2,5 milhões, de acordo com documento do cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis. A aquisição foi registrada no dia 7 de junho daquele ano, ainda segundo a escritura. O valor do novo apartamento do governador baiano é cerca de 26 vezes maior do que o imóvel declarado por ele à Justiça Eleitoral em 2014, quando foi eleito para o seu primeiro mandato.

O apartamento na mansão onde Rui mora é composto originalmente por quatro suítes, com seis banheiros, e tem mais de 300 metros quadrados. O condomínio oferece diversos atrativos de luxo, como sauna, quadra de squash, sala de cinema, sauna, SPA e ofurô.
Todos esses fatores têm levado Rui Costa a uma situação de desgaste político que já vem interferindo em sua caminhada e pode comprometer seu futuro político. Tanto é que o ex-ministro petista anda cada vez mais irritado nos bastidores, segundo relatos unânimes de seus aliados.
Além disso, publicamente, Rui tem demonstrado episódios de descontrole e nervosismo cada vez mais frequentes, o que deu ao ex-ministro a alcunha de Rui Grosseria.
























