Por Romário Faria*
Fala, Galera! É, não deu mais uma vez. Fomos eliminados pela Noruega após uma atuação horrível da nossa seleção, onde os caras tiveram o pleno controle do jogo.
Os números da posse de bola dizem muito sobre o que foi o jogo. O time de Ancelotti teve apenas 33%. Os noruegueses tiveram o dobro. O dobro! Não lembro de o Brasil ter tido tão pouca posse de bola em um jogo de Copa do Mundo. Do outro lado, mesmo sem uma força ofensiva absoluta, mas sempre tocando muito a bola, os caras fizeram o jogo deles, empurrando o Brasil pro seu campo. Na frente, um dos melhores atacantes do mundo, que não costuma perdoar. E ele foi preciso, cirúrgico, matador.
Sobre o Mister, eu confesso que não entendi algumas das mudanças que ele fez, como a saída do Bruno Guimarães. Não sei se ele sentiu alguma coisa, ou até mesmo se ficou abalado com o pênalti perdido. O fato é que no segundo tempo, sobretudo após as mudanças, o time, que já não vinha bem, caiu demais, e deu todos os espaços do mundo pra eles tomarem ainda mais conta do jogo e o Haaland resolver a parada lá na frente.
Foi uma atuação lamentável de todo o grupo. É até difícil apontar quem foi pior, ou quem seriam os principais responsáveis pela derrota absolutamente merecida pra Noruega. Nem acho que a gente deva fazer isso, pois quem perdeu e não jogou nada foi a seleção inteira, começando pelo treinador, claro, passando por todos os jogadores que entraram em campo e não conseguiram resolver.
A verdade é que não tivemos a atitude necessária para encarar um mata-mata de Copa do Mundo. Não botamos intensidade pro jogo, faltou vontade e aquele algo a mais pra disputar cada lance. Senti o time meio preso ao jogo dos adversários, aceitando a perda de oportunidades, sem tentar romper as linhas e usar o nosso talento. Muitas vezes, parecia que eram eles que tinham cinco campeonatos mundiais, tal a tranquilidade e a confiança com que jogavam.
Sei que agora é aquele momento em que todos buscam os grandes culpados pelo fracasso. É assim em toda Copa que perdemos. No jogo deste domingo, tivemos não só um pênalti perdido, mas vários lances na cara do gol. Aliás, o goleiro deles foi muito bem e fechou o gol. Mas tudo isso é do jogo, só quem esteve lá sabe que são lances naturais de uma partida. Mas, realmente, o que podemos e devemos cobrar sempre é a atitude, aquele espírito maior de Copa do Mundo, de representar o futebol brasileiro e honrar o peso da nossa camisa. Esse deve ser o compromisso de qualquer seleção brasileira.
Agora só nos resta juntar os cacos. Como já falei, eu não teria renovado o contrato do Ancelotti antes da Copa. O trabalho do treinador deve ser avaliado sempre depois de uma competição. E não adianta, no futebol o resultado é o que vale.
Não temos, de jeito nenhum, uma geração ruim de jogadores, pelo contrário! Garotos como Estêvão, Endrick e o próprio Rayan mostram que ainda temos talentos sendo formados. Essa molecada virá com tudo no próximo ciclo. Mas o que importa agora é o Brasil voltar a jogar como Brasil.
*Ex-jogador e senador pelo PL do RJ



























