Por Magno Martins
Não há argumento capaz de apagar o fato central dessa história: um avião comprado com dinheiro público para salvar vidas passou a ser utilizado pela governadora Raquel Lyra (PSD) em seus deslocamentos. E, agora, para manter essa prática sem comprometer completamente o atendimento aeromédico do Estado, o Governo tenta contratar, sem licitação, um serviço que poderá custar até R$ 10,7 milhões aos cofres públicos.
A própria iniciativa do governo acaba sendo uma admissão de que a utilização da aeronave para transportar a governadora cria um problema para a rede estadual de saúde. Se fosse possível conciliar as duas finalidades sem prejuízo ao atendimento, simplesmente não haveria necessidade de uma contratação milionária para suprir a ausência da aeronave.
O gasto extra nasce justamente porque o avião que deveria estar disponível para pacientes deixa de cumprir integralmente sua missão.
Por mais que o Palácio do Campo das Princesas tente construir justificativas administrativas, existe uma realidade impossível de ser contornada.
Uma UTI aérea não é um avião executivo. Ela foi adquirida para transportar pacientes em estado grave, equipes médicas e órgãos destinados a transplantes. Em situações como essas, minutos fazem a diferença entre a vida e a morte.
Destinar esse equipamento a viagens da governadora significa reduzir a disponibilidade de um recurso essencial justamente quando ele pode ser mais necessário.
EFEITO PERVERSO – O aspecto mais grave é que essa escolha ainda produz um efeito perverso: além de retirar da população um equipamento estratégico da saúde, obriga o Estado a gastar milhões de reais adicionais para recompor um serviço que já deveria estar garantido pela própria estrutura pública. Em vez de preservar a finalidade da aeronave adquirida para salvar vidas, a solução encontrada foi aumentar a despesa do contribuinte.



























