Dono de bar em Salvador preso por agressão tinha histórico de ofensas públicas e ciúmes contra namorada
Decisão judicial aponta que vítima já havia solicitado medida protetiva e precisou de cirurgia bucomaxilofacial após sofrer novas agressões
Por Esther Morais, do Correio

Suspeito é dono do bar Escritório da Gadhega, no bairro da Saúde Crédito: Reprodução
O relacionamento entre Luan Ferrari, dono do bar Escritório da Gadhega, localizado no bairro da Saúde, em Salvador. e a namorada era marcado por ciúmes, ofensas recorrentes e episódios de violência que evoluíram para agressões físicas, conforme consta na decisão judicial que manteve a prisão preventiva do empresário.
O documento, ao qual o CORREIO teve acesso, detalha que a vítima, cuja identidade não será divulgada, já havia solicitado uma medida protetiva de urgência em um episódio anterior e precisou ser submetida a cirurgia bucomaxilofacial após as novas agressões.
Segundo a decisão, o relacionamento teve início em abril de 2024 e, desde então, era marcado por comportamentos possessivos. A vítima contou que o empresário a diminuía com ofensas e que as agressões verbais passaram a ser acompanhadas de violência física. Após um dos episódios, ela chegou a se separar dele e solicitou medida protetiva, mas o casal retomou o relacionamento posteriormente.
Um cliente do local contou à reportagem que chegou a presenciar uma situação de agressividade entre o empresário e a namorada. “Já mandei você calar a boca”, teria dito Ferrari, à vítima, na frente de outros frequentadores.
Outras pessoas intervieram na situação. “Nunca mais voltamos lá. Ele não a agrediu fisicamente, mas queria controlar como ela se portava”, contou o cliente, sob anonimato, por medo de represálias.
O juiz Horácio Moraes Pinheiro, da 3ª Vara das Garantias de Salvador, ressaltou na decisão que as declarações da mulher são “detalhadas, coerentes e harmônicas” com os demais elementos reunidos no processo. De acordo com o documento, policiais militares que atenderam à ocorrência também informaram que as brigas entre o casal eram recorrentes.
Conforme as investigações, na madrugada do último domingo (12), após uma discussão motivada por ciúmes envolvendo uma vizinha, o empresário desferiu diversos socos no rosto da companheira. No interrogatório, o preso disse ter agido em legítima defesa e não se lembrar das circunstâncias em que a vítima se feriu.
O prontuário médico anexado ao processo aponta edema, desvio do osso nasal e necessidade de encaminhamento para cirurgia bucomaxilofacial.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, uma vez que entendeu que a gravidade das lesões, somada ao histórico de agressões e à existência de uma medida protetiva anterior, demonstra risco concreto de reiteração da violência caso o investigado seja colocado em liberdade.
Além da prisão preventiva, foram determinadas medidas protetivas em favor da vítima, incluindo proibição de contato, aproximação e monitoramento eletrônico do empresário caso ele deixe a prisão.
O perfil da rede social de Ferrari foi desativado, mas ele se apresentava como engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e como empreendedor investidor. Ainda no Instagram, o perfil do bar Escritório da Gadhega, que tem 127 mil seguidores, teve os posts fechados para comentários. O estabelecimento não se pronunciou sobre o caso.

























