Análise: Lula precisa ter sangue frio ao responder ao tarifaço

Por Henrique Brinco
A revolta diante do novo tarifaço do governo americano contra o Brasil é compreensível. Afinal, nenhum país gosta de assistir passivamente ao aumento de barreiras contra seus produtos. Mas, antes de colocar em prática a chamada Lei da Reciprocidade, o Governo Lula precisa avaliar com cuidado se uma resposta na mesma moeda realmente atingiria os Estados Unidos ou acabaria acertando o próprio pé.
Muita gente cita a China como exemplo de sucesso. Só que a comparação tem limites. Pequim conseguiu retaliar Trump porque tem escala, poder de barganha e uma bomba atômica para se garantir. Já o Brasil vive uma realidade completamente diferente.
O embate entre Brasília e Washington deixou de ser apenas comercial e ganhou forte contorno político. Nesse cenário, responder apenas com novas barreiras pode significar desperdiçar uma oportunidade para discutir a abertura da economia brasileira.
Isso não significa aceitar passivamente as tarifas americanas. Significa escolher uma estratégia que maximize os interesses brasileiros. O caminho mais inteligente talvez seja combinar negociação diplomática e uma revisão das próprias distorções comerciais, em vez de embarcar numa guerra tarifária em que o Brasil tem muito mais a perder do que a ganhar.
























