ONG Recomeçar ajuda jovens do Sertão a sair das drogas

Tratamento oferece um lar e uma nova oportunidade de refazer a vida e os laços familiares

Chácara recebe jovens de várias cidades do Sertão nordestino / Divulgação

Chácara recebe jovens de várias cidades do Sertão nordestino

O verbo recomeçar é a palavra chave de um projeto voluntário desenvolvido em Salgueiro, tornando-se o primeiro do Sertão Central com a missão de tirar o paredão sombrio das drogas do caminho de jovens que se tornam dependentes. O espaço já atendeu mais de 40 alunos de várias cidades de Pernambuco, Ceará e Bahia, coleciona histórias comoventes de sofrimento por parte de familiares dessas pessoas que se afogam no submundo do vício e acabam trilhando, em alguns casos, na cena da violência dentro e fora do convívio familiar.

Em fevereiro do ano passado, nasceu a ONG Recomeçar que inicialmente planejou atender dez alunos internos do sexo masculino a partir dos 18 anos de idade na sede do projeto que fica na fazenda Lagoinha, a 12 quilômetros da sede do município. O primeiro passo foi estimular a internação voluntária de um grupo de jovens com ou sem apoio dos familiares e amigos. Logo na chegada, cada um reconheceu publicamente a necessidade de se libertar de qualquer tipo de entorpecente.

Com pouco mais de um ano de atividades, o projeto já contabiliza oito casos de jovens que, segundo o idealizador e um dos voluntários, o radialista Ednaldo Barros, se libertaram do pesadelo até mesmo antes do tempo previsto. “O período de internamento é de nove meses envolvendo cada interno nas diversas ações de laborterapia incluindo trabalhos artesanais, horta comunitária, atividades esportivas e participação em  reuniões com diversas temáticas”, explica Barros.

Durante o internamento, os pacientes são orientados a seguir os 12 passos de sobriedade com base na filosofia  dos Alcoólicos Anônimos(AA) e Narcóticos Anônimos(N.A), assumindo inicialmente que perdeu o controle da rotina para as drogas. Eles também fazem uma espécie de inventário moral sobre suas ações e ainda estabelecem uma conduta moral ao pedir desculpas às suas famílias ou pessoas a quem causaram danos por causa do vício.

O estudante Cícero Ápila, 33, conheceu a vitrine das drogas aos 16 anos quando estudava em uma escola da rede pública. Os amigos lhe incentivaram a experimentar maconha com a promessa de se tornar “modelo de jovem descolado entre as meninas”. O entusiasmo foi tamanho que da erva ele partiu para outros tipos de drogas. O preço alto foi a desconstrução da família que acabou lhe abandonando.

“Estou aqui desde o começo e já recuperado sou um voluntário, pois ajudo os jovens que chegam aqui a salvar suas vidas. Consegui retomar o casamento e fiz minha mãe voltar de São Paulo. Estou feliz”, conta Cícero que já tem um filho. “Droga não é vida, é a passagem pro inferno. Posso dizer que uma porta se abriu e me trouxe crescimento espiritual. Quem pretende sair é só ter força e coragem que consegue”, ensina.

Além de ajudar nas atividades de rotina, Cícero também com apoio de outros integrantes da ONG faz palestras educativas nas escolas e outros espaços no sentido de mostrar sua experiência e fazer com que as novas gerações se desviem do caminho do vício.

Como é uma ação filantrópica, o projeto Recomeçar vive de doações que chegam de toda a região, a exemplo de alimentos, material de higiene e outros produtos. Ednaldo Barros lembra ainda que foram dois anos fazendo mutirões com pedreiros que doaram a mão de obra e a comunidade que doou todo material de construção.

CASA DE ACOLHIMENTO – Uma missa em ação de graças celebrada pelo bispo da Diocese de Salgueiro, dom Magnus Henrique, no final de abril, marcou a abertura da Casa de Acolhimento São Francisco de Assis, no Centro Pastoral Mandacaru (Cepam), espaço especializado na reabilitação de usuários de álcool, tornando-se a 10ª chácara de acolhimento administrada pela Comunidade da Boa-Nova.

Destinada ao tratamento de dependentes do sexo masculino residentes em qualquer dos municípios de seu território diocesano a exemplo do Cedro, Verdejante, Serrita, Terra Nova, Parnamirim, Granito, Moreilândia, Exu, Bodocó, Ouricuri, Trindade, Ipubi, Araripina e Cabrobó, para administrar a Casa de Acolhimento, a Diocese já conta com os missionários da Comunidade Católica Boa Nova.

A manutenção da unidade que também contou com a parceria da Prefeitura, começou a receber doações das paróquias e de voluntários. Com capacidade máxima para 30 acolhidos, inicialmente, a casa começou a atender 20 jovens previamente selecionados. A duração do  tratamento é de até um ano, ao longo dos quais o jovem residirá na unidade como membro da família dos missionários, recebendo todo o suporte material,  psicológico e espiritual de que necessitar.

Fonte: JC

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