Dilma diminui pobreza, mas patina na educação

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014 mostrou que, no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a miséria e a pobreza caíram com força, enquanto a escolarização de jovens entre 15 e 17 anos ficou praticamente parada, numa faixa etária que vem diminuindo ao longo do tempo. No governo Dilma, saíram da miséria extrema 4 milhões de pessoas: a parcela caiu de 7,2% da população em 2011 para 4,8%. Da mesma forma se comportou a pobreza: saíram dessa situação precária 8,722 milhões, passando de 21,2% para 15,8% da população brasileira.

Especialistas indicam a melhoria do mercado de trabalho nos primeiros anos do governo, o reajuste do Bolsa Família e o Benefício de Superação da Pobreza, estabelecido no ano passado, como motivos para esse avanço social.

— Os efeitos da política de superação da pobreza apareceram em 2014. A busca pelos pobres também melhorou, permitindo que a miséria continuasse caindo. Em 2013, houve um pequeno aumento — afirmou Samuel Franco, pesquisador do Instituto de Estudos de Trabalho de Sociedade (Iets).

Na educação, os resultados são menos animadores. Na faixa de 15 a 17 anos, a parcela na escola ficou estagnada em 84,3% de 2012 a 2014. No primeiro ano do governo, essa parcela era de 83,7%. A taxa de analfabetismo também decepcionou: passou de 8,6% para 8,3% de 2011 para 2014. Ainda há 13,2 milhões de analfabetos no Brasil. O que avançou foi a presença na escola infantil, que passou de 77,4% para 82,2% das crianças de 4 a 5 anos.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego pouco se mexeu, mantendo o nível baixo por todo o mandato. Saiu de 6,7% para 6,9%. No último ano do primeiro mandato, o mercado ainda gerou vagas. Foram mais 2,7 milhões de ocupados, uma alta de 2,9%, mas a qualidade não avançou muito. A parcela com carteira assinada saiu de 62,6% para 63,5% nos primeiros anos do governo.

A desigualdade continuou em queda. O Índice de Gini do trabalho baixou de 0,500 para 0,490 (quanto mais perto de zero, melhor a distribuição de renda). No acesso a serviços públicos, os avanços são tímidos. A parcela de casas com água encanada passou de 84,6% para 85,4%, e a rede coletora de esgoto chegou a 63,4% dos domicílios. Em 2011, a parcela pouco diferia: era de 62,6%.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *