Paulo Luiz Carneiro

O dia 20 de novembro de 1945 marca o início do último ato da Segunda Guerra Mundial: o Tribunal de Nuremberg. Encabeçado por Estados Unidos, Grã-Bretanha, União Soviética e França, as potências aliadas vencedoras, o Tribunal contra os crimes de guerra foi realizado na cidade alemã de Nuremberg, no antigo Palácio de Justiça, e durou de novembro de 1945 até o dia 1º de outubro de 1946, data em que foram anunciadas as sentenças dos principais chefes nazistas.

A decisão de julgar os principais líderes do Reich, após o término da guerra, fora expressa pela primeira vez na Declaração de Moscou, assinada pelos representantes dos aliados em 1943 e reiterada em seguida pelos acordos de Ialta (fevereiro de 1945) e pela Conferência de Potsdam (julho-agosto de 1945). E, em 8 de agosto de 1945, os quatro países aliados assinavam, em Londres, o acordo sobre o Tribunal Militar Internacional.

No Tribunal não havia júri e os juízes acumulavam a função de presidir e julgar. O presidente foi o juiz inglês Sir Geoffrey Lawrence (falecido em 1971). Os oito membros da Corte representavam as quatro potências vencedoras, e os advogados de defesa, quase todos alemães antinazistas, tomaram contato com as atrocidades cometidas durante o julgamento. As acusações: crimes contra a paz, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e conspiração.

Os 24 acusados foram divididos em quatro grupos: os comandantes militares, os homens fiéis ao partido, os funcionários públicos e os encarregados do extermínio de prisioneiros de guerra, de prisioneiros civis, de judeus e outros povos. Três altos líderes nazistas não estavam presentes, pois tinham cometido suicídio antes do final da guerra: o Führer Adolf Hitler, Heinrich Himmler (Comandante Militar da SS) e Joseph Goebbles (ministro da Propaganda do Reich). O mais alto líder no Tribunal era Hermann Goering (comandante da Força Aérea Alemã –Luftwaffe). Quando as sessões foram encerradas mais de cem testemunhas foram ouvidas, milhares de documentos entre textos, fotos e filmes tinham sido examinados. Os vereditos finais: 12 foram condenados à forca, três prisões perpétuas, duas condenações a 20 anos, uma a 15, outra a dez anos de prisão e três foram absolvidos. Robert Ley (chefe do Corpo Alemão de Trabalho) suicidou-se na prisão e Gustav Krupp, industrial dono das indústrias Krupp, acusado de utilizar trabalho escravo, foi considerado incapaz de responder pelos seus atos.

A manchete do GLOBO do dia 1º de outubro de 1946, em letras bem maiores do que normalmente eram publicadas, destacava: “Na Forca!”. No alto da página a fotografia de 18 acusados e um desenho de Göring: “Considerado o mais culpado de todos”.

Dentre os 18 que aparecem no alto da página, foram sentenciados à forca: Alfred Rosenberg (ministro para os Territórios Ocupados e ideólogo no nazismo), Joachim Von Ribbentropp (ministro das Relações Exteriores), Ernest Kaltenbrunner (membro da SS e Comandante da RSHA – Escritório Central de Segurança do Reich), Alfred Jodl (chefe de Operações da Wehrrmacht – Alto Comando das Forças Armadas), Julius Streicher (oficial nazista e editor do jornal anti-semita “Der Stürmer”), Fritz Sauckel (chefe do programa de trabalho escravo), Arthur Seyss-Inquart (oficial nazista e líder da anexação da Áustria), Wilhelm Keitel (marechal de Campo e Chefe do Alto Comando da Wehrrmacht – Forças Armadas), Wilhelm Frick (ministro do Interior) e Hans Frank (governador-geral da Polônia). Além desses, Martin Bormann, secretário particular de Hitler, foi condenado in absentia (julgado à revelia). Goering cometeu suicídio na prisão antes do enforcamento.

Após o julgamento foram realizados os Processos de Guerra de Nuremberg contra médicos, juristas, funcionários públicos e pessoas importantes do governo nazista que durou até outubro de 1948. O filme ‘O julgamento de Nuremberg”, de 1961, com Spencer Tracy e Burt Lancaster mostrou o dia a dia do julgamento e foi vencedor de dois Oscar nas categoria melhor roteiro adaptado e melhor ator com Maximilian Schell.

Crimes contra Humanidade. Com a derrota na 2ª Guerra, os alemães Hermann Goering e Rudolph Henn são julgados no Tribunal de Nuremberg

Crimes contra Humanidade. Com a derrota na 2ª Guerra, os alemães Hermann Goering e Rudolph Henn são julgados no Tribunal de Nuremberg 10/02/1946 / Arquivo

Fonte: O Globo