Estudantes ocupam Uerj em protesto contra o não pagamento de bolsas estudantis

Estudantes realizam assembleia na Uerj, ocupada na madrugada desta terça
Estudantes realizam assembleia na Uerj, ocupada na madrugada desta terça 
Bernardo Mello

Estudantes da Uerj ocuparam nesta terça-feira o campus do Maracanã, na Zona Norte do Rio, e o campus de São Gonçalo, na Região Metropolitana. Os alunos montaram barracas ainda durante a madrugada e estenderam cartazes em protesto contra o não pagamento de bolsas estudantis. Segundo os estudantes, as bolsas de novembro estão atrasadas, situação que vem se repetindo ao longo do ano.

Na última semana, o reitor Ricardo Vieiralves havia anunciado recesso acadêmico por uma semana a fim de regularizar os pagamentos em aberto, que incluem os salários de funcionários terceirizados. A previsão era de que as aulas retornassem nesta terça-feira. Em assembleia, os alunos decidiram que as aulas seguem suspensas até que salários e bolsas sejam pagos, e convocaram para um ato nesta terça-feira no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), que também sofre com o contingenciamento de verbas do governo estadual.

— A princípio, foi decidido em assembleia que a ocupação vai continuar até que sejam pagos os salários dos funcionários terceirizados e as bolsas de assistência estudantil. A Uerj ficou praticamente fechada na última semana por conta dos não pagamentos, uma situação que persistiu, mas a universidade foi reaberta hoje. Isso é uma incoerência — avaliou Álvaro Fernandes, membro do DCE da Uerj.

No campus Maracanã, um dos cartazes exibidos acusa que 7.100 estudantes estão sem receber bolsa-auxílio. Em outro, a situação é resumida da seguinte forma: “Sem bolsa, sem aula”. Uma das faixas manifesta apoio à ocupação nas escolas estaduais de São Paulo. De acordo com André Durso, estudante de Engenharia, alguns professores furaram o recesso da última semana e seguiram dando aula, embora serviços como limpeza e elevadores estejam prejudicados pelo não pagamento dos funcionários terceirizados.

Faixa convoca alunos para a ocupação; atrás, barracas montadas na entrada da Uerj
Faixa convoca alunos para a ocupação; atrás, barracas montadas na entrada da Uerj 

— O banheiro está imundo, com ralo exposto e um fedor que vai até o corredor. Os elevadores também não estavam funcionando direito antes do reitor decretar recesso. Há algum tempo funcionam apenas dois elevadores, fica uma fila enorme — afirmou.

Pela manhã, houve relatos de que os prédios estavam fechados, e os funcionários precisavam mostrar carteirinha para entrar. Já a assessoria de imprensa da universidade informou que o acesso ao prédio não estava bloqueado, mas não soube informar se as aulas estavam ocorrendo normalmente.

Os alunos realizaram uma assembleia na entrada da Uerj, na manhã desta terça-feira, em que discutiram a situação da universidade e uma possível ocupação da reitoria. Foram apresentadas reinvidicações como a construção de restaurantes universitários, aumento do orçamento da Uerj e de bolsas estudantis. Há outra assembleia marcada para as 17h. No dia 16, está previsto um ato na Alerj.

Em comunicado lacônico, o reitor Ricardo Vieiralves limitou-se a dizer que “a manifestação pacífica dos estudantes é legítima e motivada”. Na última terça-feira, quando anunciou recesso acadêmico de uma semana, Vieiralves justificou a decisão pela “situação de insalubridade” da universidade por conta “da descontinuidade dos serviços terceirizados, que afeta a segurança das pessoas e do patrimônio”.

Colaborou Aline Macedo

Alunos ocupam o campus Maracanã da Uerj

Fonte: Extra

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