Comunicação se reinventa na era das mídias digitais

Cinema, jornalismo, rádio, TV e publicidade enfrentam desafios e aproveitam oportunidades

Cursos de cinema vão suprir demanda de mercado / Fernando da Hora/JC Imagem

Cursos de cinema vão suprir demanda de mercado

O mercado de comunicação sofreu uma reviravolta irreversível. Aquela internet discada, que começamos a usar em 1995, veio para mudar a maneira como consumimos informação e entretenimento. Na última década, o surgimento das mídias sociais e a explosão do uso dos dispositivos móveis aprofundaram essas transformações. Jornalismo, cinema, rádio, TV e publicidade vivem um momento de transição, permeado por desafios e oportunidades. Daqui há poucas décadas vamos olhar para trás e avaliar com mais distanciamento o que significou esse momento histórico de convivência entre as mídias tradicionais e as digitais.

“A sociedade mudou e as profissões precisam se adaptar, porque não vai existir um retrocesso. Estamos vivendo tudo ao mesmo tempo agora. O celular roubou o lugar da agenda, da câmera fotográfica e do telemarketing que pedia o táxi. As pessoas assistem Netflix e TV aberta, leem jornal no papel e no celular. As coisas não morreram, elas estão num momento de convivência e transição. É um momento muito desafiador e de incertezas, mas talvez em 2030 não tenhamos mais tantas dúvidas”, diz a professora dos cursos de jornalismo e de comunicação e multimeios da PUC-SP, Pollyana Ferrari. Autora dos livrosJornalismo digital, A força da Mídia Social, Hipertexto-Hipermídia e No tempo das telas, ela defende que, no caso do jornalismo, a qualidade será o diferencial independentemente da plataforma.

A professora diz que o mesmo raciocínio vale para a fotografia. A possibilidade de ter um smartphone nas mãos com vários aplicativos de filtros transforma todo mundo em fotógrafo. Vivemos na base do fotografo, logo existo. A internet também permite a autopublicação e o compartilhamento. O cidadão comum é ao mesmo tempo produtor, editor e distribuidor. “Mais uma vez a qualidade, a ética e a credibilidade farão a diferença. O Instagram de um fotógrafo será diferente do de Mariazinha”, observa.

CINEMA

O cinema e audiovisual vivem um momento menos apocalíptico diante das mídias digitais. “Para os produtores independentes é interessante distribuir os filmes na web, porque um filme é uma garrafa jogada ao mar e a internet é um oceano. O interesse é que o filme seja exibido e a rede permite isso, democratiza o acesso. A que custo e de que maneira o mercado reage a isso é um assunto a se discutir, mas é uma situação que veio pra ficar”, acredita o cineasta e professor Paolo Gregori, diretor de filmes como Corpo presente eAtrás das grades.

Em comunicação, o cinema e o audiovisual têm despontado como mercados em expansão. Pernambuco ganhou espaço na cena nacional e se posiciona como o terceiro maior polo do País. Esse avanço também alavancou o fomento ao setor e turbinou os investimentos. Em 2007, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e do Funcultura, criou um edital específico para o audiovisual, atendendo a um pleito de representantes da cadeia produtiva. De lá pra cá o investimento foi crescendo. Naquele ano foram disponibilizados R$ 927,9 mil em investimentos e a aprovação de 12 projetos. Entre 2008 e 2012, os recursos foram dobrando a cada ano. Nos últimos 3 anos, o valor estabilizou em R$ 11,5 milhões, com reforço de R$ 8,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) no ano passado, somando R$ 20 milhões.

Por meio da política de incentivos, filmes como Febre do Rato, Era uma vez eu, Verônica; História da Eternidade e tantos outros projetaram a produção pernambucana em festivais nacionais e internacionais. A quantidade de projetos incentivados saltou de 12 em 2007 para 112 este ano. O Programa de Fomento à Produção do Audiovisual também fez explodir o numero de produtores inscritos no cadastro de produtores culturais. Enquanto em 2007 eram 657, este ano chegou a 4,9 mil inscritos.

A produção local estimulou, ainda, o surgimento de dois cursos superiores de cinema no Estado. “Essa formação é importante porque falta profissional mo mercado para dar conta desse crescimento da demanda. Os cursos tentam trabalhar a formação do olhar, um jeito diferente de observar o mundo e as pessoas. Cinema é um mercado novíssimo e promissor”, defende Paolo Gregori.

PUBLICIDADE

Na publicidade, o lema é aproximar marca e consumidor independente da plataforma de comunicação que ele usa. Na era das telas, as mídias tradicionais deixaram há muito de ser os únicos canais de propaganda. O Brasil já tem 273,7 milhões de celulares em operação, sendo 154 milhões smartphones. Tablets e computadores somam outros 152 milhões. A mudança obrigou as agências a entender a mídia na plataforma digital. No mercado pernambucano, a recém-criada Duca deu um passo à frente. A holding, que une as agências Ampla e BG9, se juntou a especialistas em inovação para trabalhar não só a comunicação das marcas, mas também oferecer o serviço de gestão dos negócios digitais dos clientes (criação de aplicativos e outras soluções).

“O uso das novas mídias e tecnologias é inevitável, não tem mais volta. A grande oportunidade é entender quais são as tecnologias disponíveis para aproximar as marcas das pessoas. No século passado existia a máxima de que o meio era a mensagem, mas agora a própria tecnologia pode ser a mensagem. O desafio é compreender de que forma será possível integrar planejamento e criação a essas novas ferramentas disponíveis. A vantagem de Pernambuco é ter um polo de tecnologia consolidado”, diz o publicitário e professor Daniel da Hora.

O publicitário e CEO da Duca, Queiroz Filho, conta que desde 2008 a Ampla começou a investir na plataforma digital. A agência chegou a criar um núcleo de inteligência digital (NID) para dizer ao mercado e ao cliente que estava alinhada às novas tendências. Um ano após sua criação o núcleo foi desativado, porque a empresa entendeu que a inteligência digital não deveria ser apenas um departamento, mas fazer parte da cultura do grupo.

“A internet completou 20 anos em 2015. Estamos falando de uma geração que já nasceu com a existência da rede. São pessoas que usam o meio digital para comprar uma passagem de avião, fazer check in, pedir um táxi. Por isso a necessidade de amadurecimento do negócio digital. A Duca será esse braço de inovação”, diz Queiroz Filho. A Sodet, empresa criada por Silvio Meira e Teco Sodré no Porto Digital, será a primeira parceira na empreitada de oferecer soluções digitais aos clientes das agências. A holding inicia o negócio administrando 52 marcas e movimentando R$ 300 milhões em investimentos em comunicação. (JC)

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