Por Larissa Rodrigues
O presidente Lula (PT) vem sofrendo pressões para indicar uma nova ministra no Supremo Tribunal Federal (STF), que atualmente tem apenas Cármen Lúcia. Mas o mais cotado é o atual titular da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
Messias será indicado para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente da Corte aos 67 anos de idade — o magistrado poderia ter continuado no STF até os 75 anos.
Após a indicação de Lula, Messias passará por sabatina no Senado, que decidirá se aprova ou não o nome dele para o STF.
Caso a preferência de Lula por Messias se confirme, não será fácil para o presidente explicar para as suas bases o motivo de mais uma vez um homem ter recebido a prioridade para assumir um espaço de poder, sobretudo a Suprema Corte.
A escolha de um homem para a vaga revela incoerência de Lula e também do PT. O partido, que tem como uma de suas bandeiras a defesa dos direitos das mulheres, apoia o nome de Jorge Messias para a vaga aberta com a aposentadoria de Barroso.
Até algumas celebridades do mundo artístico se manifestaram publicamente, pressionando Lula a optar por uma mulher para a Corte nos últimos dias. A apresentadora de TV Angélica, a cantora Anitta e a atriz Fernanda Torres estão entre as personalidades que fizeram apelos a Lula.
Se as mulheres brasileiras não podem contar com as lideranças de esquerda do país, principalmente a maior delas, que é o presidente Lula, para combater as desvantagens históricas frente aos homens, não sobra muita esperança. Fica difícil para Lula, que se diz defensor das pautas das mulheres, manter a coerência dando preferência, mais uma vez, a um homem.
Prêmio de consolação – O presidente Lula poderá indicar uma mulher para substituir o ministro Jorge Messias na AGU, para não ficar tão feio. O prêmio de consolação pode ajudar a minimizar as críticas. O número de auxiliares mulheres no primeiro escalão do presidente passaria para 11. De acordo com informações do portal g1, da Globo, caso Messias seja consultado para a sua substituição, deverá indicar a Lula algumas soluções caseiras. Uma das opções é a advogada da União Isadora Cartaxo, atual secretária-geral de Contencioso, considerada tecnicamente muito boa.

Dados da vergonha – Em 134 anos de história, o Supremo Tribunal Federal já teve 172 ministros. Apenas três mulheres — nenhuma negra. Se Lula optar novamente por um homem, o STF voltará a ter dez ministros e apenas uma mulher: Cármen Lúcia, nomeada por ele em 2006. Antes dela, as outras ministras foram Ellen Gracie, nomeada por Fernando Henrique Cardoso em 2000 e que se aposentou em 2011; e Rosa Weber, nomeada pela presidente Dilma Rousseff em 2011. Weber aposentou-se em 2023.



























