A rainha neopetista
Chegamos hoje, no caminhar da estação da descontração e do humor, ao reinado do esticadinho da sucessão do Recife, que pega com vento de proa a neopetista Marília Arraes. Pré-candidata do PT à sucessão de Geraldo Júlio, seu séquito nas redes sociais tenta fixar a ideia de que o Recife não está precisando de um príncipe, para detonar João Campos, principal adversário e extensão familiar dos Arraes, mas, certamente, alguém há de inferir, no mesmo tom, que a cidade também não está precisando de uma rainha.
A rainha da dinastia Arraes, bem que poderia se apresentar assim ao Recife de pontes, sobrados e casarões, decantado em versos e prosas como um Cão sem plumas por João Cabral de Melo Neto.
O cão sem plumas é a linguagem depurada do rio Capibaribe, que corta a cidade rio-detrito, com sua sujeira, seus detritos com a população miserável que lhe habita as margens, trágico espelho do subdesenvolvimento. O cão desemplumado, portanto, é a metáfora de Cabral para o rio Capibaribe e sua cinzenta convivência com os homens-caranguejos, que também são cães sem plumas.
“Difícil é saber/ se aquele homem/ já não está/ mais aquém do homem”.
Neta do ex-governador Miguel Arraes sem o tirocínio político do neto mais famoso, o também ex-governador Eduardo Campos, arrastado para o além num acidente aéreo, Marília pegou o bonde errado da história.
Filiou-se ao um partido, o PT, depois de uma cisão na família e com o núcleo duro do PSB, para virar personagem central do filme A pagadora de promessas: quantas penitências terá que fazer ainda perante o altar, carregando uma pesada cruz, para se livrar das macumbas do senador adversário no PT, Humberto Costa, que não se cansa de puxar o tapete dela!
Marília é, na verdade, a candidata dissidente do clã Arraes, misturado aos Campos, que amarrou o cavalinho no lugar errado. O PT, para triste conclusão, tem mais rima com problema do que mesmo com solução. Rouba-lhe o voto da tribo simpática ao seu projeto que não vota nunca mais no PT, mesmo sob tortura, desiludida com a Lava Jato e seu chefe, o ex-presidente Lula. (Magno Martins)


























