Amigos de estudante de medicina baleado em briga com trisal no AC protestam em frente a delegacia

Amigos de estudante de medicina baleado em briga com trisal no AC protestam em frente a delegacia

Um grupo de amigos do estudante Flavio Endres Ferreira, de 30 anos, que foi baleado no sábado (28) pelo sargento da Polícia Militar do Acre Erisson Nery, se reuniu em frente a delegacia de Epitaciolândia pedindo justiça.

Com cartazes com os dizeres: “Justiça por Flavio”, “Queremos punição”, “Que a instituição (PM) não feche os olhos para essa atrocidade”, o grupo exige que a situação não fique impune.

Um vídeo mostra o sargento armado após atirar contra o estudante durante uma confusão em um bar da cidade de Epitaciolândia, no interior do estado. A PM confirmou que ele estava afastado por laudo médico e também que a arma institucional dele havia sido recolhida pela corporação há um mês.

Com cartazes, grupo pede Justiça pelo jovem Flávio Ferreira — Foto: Arquivo pessoal

Com cartazes, grupo pede Justiça pelo jovem Flávio Ferreira — Foto: Arquivo pessoal

Um dos colegas de faculdade de Ferreira, que participa do protesto e prefere não se identificar, disse que estava no local onde ocorreu a confusão e que o amigo não fez nada que justificasse as agressões e tiros.

“Flavio é uma pessoa com comportamento exemplar, uma pessoa respeitadora, um cristão, família toda é serva de Deus e é um cara que não mexe com ninguém. Falo isso porque estudo com ele desde o início da faculdade, há uns seis anos estamos juntos. Não pode ficar impune porque foi um comportamento que não teve motivo, efetuou disparos contra meu amigo e, mesmo após ele [Flavio] estar no chão, baleado, ele teve a covardia de ainda agredir meu amigo com chute e murro no rosto dele”, disse o amigo.

Vítima passou por cirurgia

A família de Flavio Endres Ferreira informou que o estudante de medicina passou por uma cirurgia no pronto-socorro de Rio Branco e tem quadro estável. A mãe do estudante, Lúcia Ferreira, disse que o filho foi atingido por quatro tiros; um abaixo do umbigo, dois acima e um no peito.

“Perfurou o intestino, mas, graças a Deus, só a sutura deu certo. Não precisou de bolsa de colostomia”, disse.

Vídeo mostra momento em que Darlene toma a arma do sargento após ela atirar no homem  — Foto: Reprodução

Vídeo mostra momento em que Darlene toma a arma do sargento após ela atirar no homem — Foto: Reprodução

O sargento ficou conhecido nas redes sociais após assumir um trisal com a mulher, também sargento da PM, Alda Nery, e a administradora Darlene Oliveira. Os três moram na cidade de Brasileia e há alguns meses, a sargento estava fazendo tratamento psicológico, quando o casal voltou a gerar polêmica ao surgir boatos de separação.

Nas imagens, que viralizaram, o sargento aparece segurando uma arma, visivelmente embriagado e sendo contido por Darlene. Certo momento, ele se aproxima de Flavio já no chão ainda bate nele. Novamente Darlene afasta o policial. (Veja o vídeo abaixo).

O g1 conversou com outro familiar de Flávio, que preferiu não se identificar, que explicou que o estudante mora em Epitaciolândia, que fica na fronteira, e estuda na Bolívia. Segundo familiares, ele tinha ido assistir o jogo no bar com os amigos. A família também rebate a versão do policial, que alega que o estudante teria assediado Alda.

“A gente não sabe muita coisa, só o que saiu na mídia e estamos tentando buscar mais informações. Ele ainda não está bem para responder e estamos esperando ele ficar mais consciente para passar a versão dele. Ele foi atingido no tórax e abdômen e segue estável. A mãe dele está muito abalada. A gente está revoltado, ele é uma pessoa muito boa e jamais, conhecendo ele, faria o que estão falando [de assediar alguém]. Ele é casado e tem filhos”, disse.

‘Nunca desrespeitou ninguém’

A mãe dele, Lúcia disse ainda que o estudante acordou após sedação e disse que não tinha feito nada. “Ele acordou e disse por três vezes: ‘mãe, eu não fiz nada’. Meu filho é um menino bom, eduquei para o mundo e ele nunca desrespeitou ninguém. Mas, a justiça de Deus é garantida! Sou mãe e estou sofrendo muito”, desabafa.

Amigos também estão se organizando para fazer um protesto pedindo justiça em frente ao batalhão da cidade de Epitaciolândia. Um perfil no Instagram “Justiça por Flávio” foi criado e já tem mais de 700 seguidores. A descrição diz: “Estudantes de medicina unidos em busca de justiça por nosso amigo”.

Sargento de trisal se envolve em briga e atira em jovem no interior do Acre

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Os dois estavam afastados da PM

O que também chama atenção é que, segundo a PM, todas as armas institucionais que eles tinham cautela foram recolhidas há um mês. Ou seja, a arma utilizada não é da PM-AC. O recolhimento das armas se deu porque Alda está de licença especial por recomendação da policlínica e Nery está com atestado de 60 dias de um psiquiatra.

“Todas as armas institucionais que eles tinham cautela foram recolhidas há um mês. Seguramente a arma utilizada não é da PM-AC”, destacou a corporação.

O Comando da PM informou que está apurando disciplinarmente os fatos e tomará as medidas necessárias, mas destacou que a apuração criminal caberá à Polícia Civil. A nota diz ainda que o sargento ainda não se apresentou.

“No entanto, a PM continua em diligências com o fim de localizá-lo. A instituição reafirma que não compactua com ações que firam as normas legais ou que contrariam os valores castrenses seguidos pela corporação ao longo de sua história. Atitudes tomadas por quaisquer membros da corporação no âmbito de suas vidas privadas não refletem no posicionamento institucional e devem ser apuradas à luz do que determina a legislação”, destaca.

Segundo informações da polícia, a guarnição foi acionada para atender a ocorrência no bar e quando chegou ao local o homem já estava no chão e o sargento não estava mais no local. Testemunhas chegaram a dizer para a polícia que a confusão começou porque o homem que aparece no chão agrediu Alda e, por isso, Nery sacou a arma e atirou contra ele.

Estudante baleado por sargento passa por cirurgia em Rio Branco  — Foto: Arquivo pessoal

Estudante baleado por sargento passa por cirurgia em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal

‘Passou a mão nela’

Mesmo ainda não tendo sido ouvido pela polícia, o sargento falou ao g1 nesse domingo que reagiu à uma importunação sexual feita pelo homem contra sua mulher.

“O cara molestou minha esposa e ela foi tomar satisfação imediatamente. Mas, ele deu um murro na cara da Alda que ela caiu apagada e com a boca cortada. Aí quando eu vi ela daquele jeito, fui atrás do cara. Lá fora entramos em luta corporal e eu atirei nele. Foram dois disparos, todos pegaram nele. Ele está estável e foi transferido para Rio Branco”, alega.

Nery disse ainda que Alda foi até a delegacia fazer queixa da importunação sexual e agressão. “Ele passou a mão nela. O bar tava lotado, mas ela conseguiu identificar e foi tomar satisfação. Não teve nada de dança, dela estar dançando, de estar conversando, não existe nada disso. Ela passou a mão nela e ela foi tomar satisfação e ele deu um soco nela”, conta.

A delegada da cidade, Carla Ívane, informou que um inquérito foi instaurado e que os procedimentos estão sendo tomados.

“Tem vídeos e áudios circulando, estamos aguardando o resultado do exame do corpo de delito e foi instaurado um inquérito policial. O sargento Nery não se apresentou e nem foi localizado pela PM. Houve um boletim informativo e seguimos com os prosseguimentos de ouvir testemunhas e abrimos o inquérito para apurar o que de fato aconteceu”, informou.

Em sua rede social, a sargento escreveu que Nery tentou defendê-la. Ela reforçou a versão do sargento e disse ainda que mais pessoas tentaram agredi-lo.

“Daí só porque você é mulher mesmo estando acompanhada pode levar dedada, murro na cara e nada tem que acontecer com o assediador? As pessoas não sabem de nada e são juízes alheios sem nem ao menos saber o que aconteceu. Mulher não merece respeito? Não pode estar ou circular em um ambiente livremente sem que seja assediada e desrespeitada? É tocada desrespeitosamente e se tomar satisfação ainda é agredida? Você conseguiria ver seu parceiro ou parceira esposo ou esposa caído no chão sangrando por uma injusta agressão sem defendê-lo? Você teria esse sangue de barata? Assediada e agredida e meu marido não podia me defender e se defender de mais de 5 cara que queriam agredi-lo?”, postou.

Sargento conta que Alda foi agredida pelo homem e, por isso, ele atirou contra ele  — Foto: Arquivo pessoal

Sargento conta que Alda foi agredida pelo homem e, por isso, ele atirou contra ele — Foto: Arquivo pessoal

Trisal

Alda e Erisson Nery são sargentos da PM e já eram casados quando conheceram a administradora Darlene. Os três se relacionam há mais de um ano, mas só recentemente assumiram o trisal nas redes sociais e até criaram um perfil para divulgar a vida a três.

Mas a repercussão, além de trazer mensagens de apoio e até relatos de pessoas que levam o mesmo estilo de vida, acabou com a demissão de Darlene, segundo a sargento Alda, em junho deste ano. Ela diz que a companheira foi demitida com a justificativa de que a exposição dela afetaria a imagem da empresa.

Outra situação envolvendo os três ocorreu em agosto deste ano, quando os sargentos foram denunciados no Conselho Tutelar da cidade de Brasileia por suposta negligência na criação dos dois filhos, de 13 e 17 anos. Na época, Alda se manifestou também nas redes sociais e afirmou que os filhos são nerds.

Alda Nery, Erisson Melo e Darlene Oliveira, estão há quase um ano em um relacionamento e comemoram — Foto: Daniel Cruz/Arquivo pessoal

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