Após joias e vacinas, PF vai concluir investigação sobre a tentativa de golpe de Bolsonaro
Bolsonaro deverá ser indiciado por tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito por meio de violência ou grave ameaça

Os novos indiciamentos de Bolsonaro podem incluir acusações de crimes considerados mais severos que os do caso das joias sauditas ou o da fraude nos certificados de vacinação contra Covid-19: tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito através de violência ou grave ameaça. Essas acusações, se comprovadas, acarretam penas de 4 a 12 anos e 4 a 8 anos de prisão, respectivamente.
Essas acusações não são completamente novas. Bolsonaro já havia sido alvo de pedidos de indiciamento por esses crimes durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do 8 de Janeiro, que foi concluída em outubro do ano passado no Congresso Nacional.
A delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid foi crucial nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Cid forneceu detalhes que aprofundaram a compreensão dos investigadores sobre a conspiração. Informações de Cid indicam que Bolsonaro tinha conhecimento de uma minuta golpista e chegou a solicitar mudanças no documento, sugerindo a retirada das menções à prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, mas mantendo a prisão do ministro Alexandre de Moraes, um dos principais alvos da militância bolsonarista.
A minuta golpista já havia sido um ponto de referência em outras ações judiciais. Em junho do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) usou o documento para declarar Bolsonaro inelegível, citando abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma reunião com embaixadores em que Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas.
Para que Bolsonaro seja levado ao tribunal e possivelmente condenado pelo plenário do STF ainda este ano, é necessário que a Procuradoria-Geral da República (PGR) aja rapidamente. No entanto, a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, demonstra cautela. Gonet e sua equipe têm relutado em acelerar o processo, preocupados com a possibilidade de serem acusados de motivações políticas, especialmente em um ano eleitoral.
A atual investigação da Polícia Federal e as possíveis novas acusações apenas intensificam a crise legal enfrentada por Bolsonaro. Ele já foi indiciado no âmbito da investigação que apura a venda ilegal de joias sauditas do acervo presidencial e por um esquema de fraude de cartões de vacina.


























