A fertilidade masculina também tem prazo? Estudos mostram quando a qualidade do sêmen começa a cair
Pesquisas internacionais indicam que a concentração dos espermatozoides diminui a partir dos 40 anos e o movimento dos espermatozoides sofre queda após os 43; especialista alerta que o planejamento reprodutivo também deve incluir os homens
Por Perla Ribeiro

Fatores masculinos estão presentes em cerca de 40% dos casos de infertilidade Crédito: Shutterstock
Durante muito tempo, acreditou-se que o relógio biológico era uma preocupação exclusivamente feminina. Afinal, enquanto as mulheres nascem com uma quantidade limitada de óvulos, os homens continuam produzindo espermatozoides ao longo de praticamente toda a vida. Mas a ciência mostra que essa ideia está longe de contar toda a história.
Pesquisas internacionais apontam que o envelhecimento também compromete, de forma gradual e silenciosa, a fertilidade masculina. Um dos maiores estudos sobre o tema, publicado na revista científica *Fertility and Sterility*, analisou amostras de mais de 5 mil homens e identificou quando começam as principais mudanças na qualidade do sêmen.
Segundo os pesquisadores, os parâmetros permanecem relativamente estáveis até os 34 anos. A partir dos 40, há uma redução significativa na concentração e na morfologia (formato) dos espermatozoides. Após os 43 anos, a motilidade — capacidade de essas células se movimentarem até o óvulo — também passa a apresentar queda importante.
Outro fator de preocupação é o aumento da fragmentação do DNA espermático. Uma revisão publicada no *World Journal of Men’s Health*, elaborada por um grupo internacional de especialistas em andrologia, mostra que, com o avanço da idade, cresce a ocorrência de danos no material genético dos espermatozoides.
Essas alterações podem reduzir as chances de fecundação, diminuir as taxas de sucesso da fertilização in vitro (FIV) e aumentar o risco de perdas gestacionais. Além disso, estudos indicam que a idade paterna avançada, geralmente acima dos 45 ou 50 anos, está associada a um discreto aumento do risco de algumas alterações genéticas e transtornos do neurodesenvolvimento nos filhos, embora a maioria das gestações ocorra sem complicações.
O envelhecimento não é o único fator capaz de comprometer a fertilidade masculina. Segundo o urologista e especialista em saúde masculina Paulo Egydio, hábitos como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, estresse crônico e doenças metabólicas também afetam a produção e a qualidade dos espermatozoides.
Outro problema frequente é a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias da bolsa escrotal. A condição pode aumentar a temperatura dos testículos e prejudicar a produção de espermatozoides, sendo uma das principais causas de infertilidade masculina. Ao contrário do que muitos imaginam, alterações na fertilidade masculina raramente provocam sintomas.
Na maioria das vezes, o homem mantém vida sexual normal e só descobre a dificuldade para ter filhos após tentativas frustradas de gravidez. Nesses casos, a investigação inclui exames hormonais, espermograma — considerado o principal exame para avaliar a fertilidade masculina — e, quando necessário, ultrassonografia da bolsa escrotal para identificar alterações como a varicocele.
Para o especialista, o aumento da idade média para ter filhos torna cada vez mais importante incluir os homens nas discussões sobre planejamento reprodutivo. “A fertilidade não depende apenas da produção contínua de espermatozoides. Idade, estilo de vida e condições médicas influenciam diretamente as chances de gravidez. Quanto mais cedo essas questões forem avaliadas, maiores tendem a ser as possibilidades de diagnóstico e tratamento”, afirma.
























