O procedimento, chamado lobectomia frontotemporal com paciente acordado, aconteceu no dia 2 de fevereiro, e foi feito em Erinaldo José de Souza, de 41 anos. O paciente foi diagnosticado com um glioma após dar entrada no HCP há cerca de um ano, com queixas de fortes dores de cabeça e crises convulsivas.
Casado e pai de dois filhos, o diagnóstico trouxe medo e incerteza para Erinaldo, que precisou se afastar do trabalho.
“No começo, quando a gente descobre o diagnóstico de câncer, é um choque, principalmente porque eu estava agoniado por causa das convulsões, tonturas e confusões mentais.”
A intervenção foi conduzida pelo neurocirurgião Bruno Leimig, após discussão entre as equipes médicas para avaliar os riscos e benefícios do procedimento. Durante a operação, o paciente permaneceu acordado para permitir o monitoramento, em tempo real, de funções neurológicas essenciais.
“Diferente das cirurgias cerebrais convencionais, em que o paciente permanece totalmente sedado, a lobectomia frontotemporal é indicada quando o tumor está localizado próximo de regiões responsáveis por funções importantes do nosso cérebro. Então, precisamos fazer esse monitoramento em tempo real”, explicou o Leimig.
Testes
A fonoaudióloga Deluana Cunha participou da cirurgia auxiliando na avaliação cognitiva do paciente. Durante o procedimento, ela apresentou imagens e realizou exercícios de linguagem e memória para identificar possíveis alterações neurológicas.
“Eu mostrava algumas imagens para ele dizer o que eram, com o objetivo de estimular ao máximo a parte da memória e da cognição, diminuindo as chances de sequelas pós-cirurgia”, explica a fonoaudióloga.
Segundo ela, o acompanhamento com o departamento de fonoaudiologia continua mesmo após a operação.
“O paciente está cada vez melhor, embora ainda precise lembrar de palavras específicas. Por isso, a necessidade das consultas com a fonoaudióloga”, completa a especialista.
Qualidade de vida
As causas do tumor ainda são desconhecidas, e no caso do paciente, a intervenção cirúrgica não representa a cura da doença, mas será responsável por oferecer um avanço importante na qualidade de vida dele.
De acordo com o HCP, após o procedimento e processo de reabilitação, Erinaldo apresentou uma melhora, boa cicatrização na cabeça, não teve mais crises convulsivas e já foi liberado para as suas atividades normais.
“Me sinto bem hoje, ando sozinho e estou ansioso para voltar a trabalhar”, conta Erinaldo.
Para Bruno Leimig, o sucesso também evidencia a capacidade técnica da unidade.
“É uma cirurgia que poucos lugares no Brasil realizam, porque requer preparo e uma atuação multiprofissional muito integrada. Esse foi um primeiro passo muito importante para o HCP”, afirma.
Maio Cinza
Durante o mês de maio, o HCP intensifica as ações de conscientização sobre o câncer cerebral por meio da campanha Maio Cinza.
O objetivo é alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais da doença, que, embora represente uma parcela menor dos casos oncológicos, está entre os tumores com maior potencial de gravidade.


























