Conheça as histórias de refugiados que vivem em Pernambuco
Marcionila Teixeira/Paulo Trigueiro
Quando Duarte Adelino, 36 anos, deixou a Guiné-Bissau, país da África Ocidental onde nasceu, fugia de uma crise política. Lá, nenhum presidente eleito desde a independência, em 1973, completou o mandato. Treze anos depois, Duarte ainda não mudou de vida como planejava. Ele é um dos refugiados residentes em Pernambuco. Dramas como os de Duarte são antigos, mas somente há duas semanas o mundo parece ter acordado de vez para essa realidade. A imagem do menino sírio Aylan Kurdi, morto em uma praia na Turquia, funcionou como alarme sobre a crise.
Dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), apontam 8,4 mil refugiados reconhecidos no Brasil desde 2007. O governo federal desconhece quantos vivem em cada estado. A maioria vem da Síria, Angola e República Democrática do Congo.
Amadou Touré, da Associação do Senegal no Nordeste, conta que dentre os países africanos os senegaleses são os que mais escolhem viver em Pernambuco como refugiados por causa das oportunidades como ambulantes de bijouterias. Com as ações da prefeitura de retirada do comércio informal do Centro do Recife, eles têm buscado festas no interior. “Seguem o islamismo e não gostam de falar.”

Além da saudade e da incerteza em relação ao futuro, os golpes de quadrilhas são mais um obstáculo. Em fevereiro, a congolesa Jael Asfine Mungo, 26, viveu um drama após desembarcar no Porto do Recife. A ideia era seguir para o Canadá, após acordo pago com funcionários de um navio atracado no país africano. Enganada, terminou levada ao Recife, onde pediu refúgio.
O caso de Jael foi acompanhado por estudantes de Relações Institucionais da Faculdade Damas. Eles desenvolvem um projeto de atendimento a refugiados. “Também recebemos três pessoas de Guiné-Bissau, estudantes com vistos vencidos que pediram refúgio. Damos apoio jurídico”, lembra Maeli Farias. O Escritório de Assistência à Cidadania Africana em Pernambuco (Eacape), em Santo Antônio, é outra alternativa de apoio.
No Sul e Sudeste a rede de atendimento é ampla e atrai mais refugiados que outras regiões do país. Os refugiados residentes no estado terminam com seus problemas agravados por conta do isolamento e da falta de informação. “Havia uma proposta para que a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos instalasse um Centro de Referência para Imigrantes e Refugiados no estado que nunca saiu do papel”, critica a antropóloga Daianne Rafael Vieira. A secretaria reconhece não ter dado andamento à proposta, lançada em 2014.



























