De motorista de ônibus a líder sindical: quem é Maduro, presidente da Venezuela preso pelos EUA

Aliado de Hugo Chávez, Maduro chegou ao poder em 2013 e governou a Venezuela por mais de uma década em meio a crises econômicas, denúncias de autoritarismo e isolamento internacional

Diario de Pernambuco

Nicolas Maduro (Foto por FEDERICO PARRA / AFP)

Preso neste sábado (3) por forças militares dos Estados UnidosNicolás Maduro construiu uma trajetória política marcada por ascensão rápida, forte alinhamento ao chavismo e uma gestão envolta em controvérsias. Aos 62 anos, ele permaneceu por mais de uma década no comando da Venezuela, período atravessado por crises econômicas profundas, conflitos políticos e sanções internacionais.

Nascido em Caracas, Maduro concluiu o ensino médio e iniciou a vida profissional como motorista de ônibus no sistema metroviário da capital. No fim da década de 1970, passou a atuar no movimento sindical, fundando uma entidade para representar os trabalhadores do setor. O engajamento político o levou ao Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), liderado por Hugo Chávez, de quem se tornaria um dos principais aliados.

Vida política

Maduro ganhou projeção nacional ao se destacar na campanha pela libertação de Chávez após a frustrada tentativa de golpe de Estado nos anos 1990. Com a chegada do líder chavista ao poder, em 1999, passou a ocupar cargos estratégicos: integrou a Assembleia Nacional Constituinte, foi eleito deputado, presidiu a Assembleia Nacional e, posteriormente, assumiu o Ministério das Relações Exteriores.

Como chanceler, manteve fidelidade ao projeto chavista e era visto por diplomatas como um interlocutor pragmático. Em 2012, Chávez o escolheu como vice-presidente. Com o agravamento do estado de saúde do então presidente, Maduro assumiu interinamente o governo e, após a morte de Chávez, venceu a eleição presidencial de março de 2013 por margem estreita, derrotando o opositor Henrique Capriles.

O período à frente do Executivo foi marcado por instabilidade. A partir de 2014, a Venezuela enfrentou grave crise econômica, intensificada pela queda do preço internacional do petróleo — principal fonte de receita do país. O cenário provocou escassez de produtos, apagões, falta de água e uma onda de protestos contra o governo, reprimidos pelas forças de segurança.

Líderes da oposição, como Leopoldo López e Antonio Ledezma, foram presos, acusados de conspiração e incitação à violência. As ações ampliaram a pressão internacional, resultando em sanções impostas pelos Estados Unidos e outros países por violações de direitos humanos.

Em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte sem a participação do Parlamento, então controlado pela oposição. A medida foi criticada por analistas e governos estrangeiros, que viram na iniciativa uma tentativa de concentrar poder. A Constituinte assumiu funções do Legislativo, mas foi encerrada em 2020 sem apresentar uma nova Constituição.

Reeleito em 2018 em um pleito boicotado pela oposição e não reconhecido por diversos países, Maduro seguiu no poder enquanto o país aprofundava o isolamento diplomático. Relatórios internacionais apontaram o colapso da economia venezuelana e a intensificação da crise humanitária. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de 6 milhões de venezuelanos deixaram o país até 2023, a maioria para outras nações da América Latina.

Ao longo de seus 11 anos de governo, Maduro foi acusado de manter um regime autoritário, perseguir opositores, concentrar poderes e conduzir processos eleitorais sob suspeita de irregularidades. As denúncias e a deterioração das condições de vida transformaram seu governo em um dos mais contestados da história recente da Venezuela.

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