Eduardo Hagge exonera esposa do sobrinho e consolida rompimento

Um imbróglio familiar na política de Itapetinga, no Sudoeste da Bahia, chegou ao limite do tensionamento nesta quarta-feira (13) e promete novos e emocionantes capítulos. Isso porque o prefeito Eduardo Hagge (MDB) exonerou do cargo de secretária de Planejamento Yasmin Lima, que é esposa do ex-prefeito Rodrigo Hagge (MDB), sobrinho do atual gestor.
Filho do ex-prefeito e ex-deputado Michel Hagge, Eduardo foi eleito no ano passado com o apoio de Rodrigo, que finalizou em 2024 seu segundo mandato com elevada aprovação. O tio, inclusive, não era o favorito do grupo político, que preferia outros nomes, mas Rodrigo bancou a indicação de Eduardo, que acabou saindo vitorioso da disputa contra Cida Moura (PSD).
A exoneração de Yasmin ocorreu nesta quarta, no dia do aniversário de Rodrigo, e foi realizada sem que o sobrinho fosse comunicado da decisão. A medida do prefeito consolida o rompimento com o sobrinho e agora ex-aliado político.
Eduardo já vinha tensionando a relação com Rodrigo desde o início do seu mandato. O motivo é a disputa eleitoral do próximo ano, quando os dois divergem em relação ao apoio do grupo. O tio se aproximou do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e exigia que Rodrigo, que é pré-candidato a deputado estadual, fizesse o mesmo caminho.
O sobrinho, contudo, preferiu ficar no grupo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), o que irritou o tio e a cúpula do MDB no Estado, que, inclusive, vem fazendo ameaças veladas contra Rodrigo nos bastidores. Nas eleições do ano passado, entretanto, Neto apoiou Eduardo e esteve na cidade para eventos políticos durante a campanha.
Nesta quarta, a coluna Radar do Poder revelou que o ex-ministro Geddel Vieira Lima encaminhou carta a Rodrigo Hagge, solicitando que o correligionário peça desfiliação do partido para não ser expulso. [Veja mais aqui].
O ex-prefeito da capital até tirou o comando do União Brasil das mãos do então vice-prefeito Renan Pereira para evitar que o partido lançasse candidatura e garantir o apoio ao candidato de Rodrigo. Jerônimo, por outro lado, fez campanha para Cida Moura, adversária de Eduardo na disputa eleitoral.
A aliados próximos, Rodrigo disse que foi pego de surpresa com a decisão do tio de exonerar a esposa e considerou a medida de “extremo desrespeito”, visto que ele nem foi comunicado previamente. Além disso, ele confidenciou que este foi um ato de traição e perseguição do próprio tio, uma vez que ele deu total apoio a Eduardo nas eleições do ano passado e bancou a indicação dele.
Segundo apurou a reportagem, Eduardo condicionou o apoio a Rodrigo ao rompimento dele com ACM Neto e que caminhasse com Jerônimo. O tio teria avisado ao sobrinho que, se seguisse com Neto, não teria o seu apoio na disputa pela Assembleia Legislativa. Rodrigo, entretanto, negou e disse que seria incoerente marchar com o governador petista.
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