Em meio a aperto das contas no Recife, amortizações extras ao BRB de R$ 23 milhões em maio pressionam contas da gestão Marques; BRB está envolvido no escândalo do Master
Do Blog Manoel Medeiros
O empréstimo de R$ 300 milhões contratado pela Prefeitura do Recife ao Banco Regional de Brasília (BRB) em julho de 2022, capitaneado pelo ex-prefeito João Campos (PSB), está pressionando as contas da gestão do prefeito Victor Marques (PCdoB) em meio a um esgotamento fiscal dos cofres públicos municipais (leia mais), que aguarda agora socorro do banco Itaú, vencedor da licitação para operação de antecipação do parcelamento da dívida ativa do Recife até 2031.

Somente no último mês de maio, entre os dias 21 e 25, a Prefeitura precisou desembolsar R$ 22,7 milhões em pagamentos extraordinários referentes à operação de crédito firmada junto ao BRB, instituição financeira que está no centro do escândalo do Banco Master, com risco de calote e insolvência. A operação foi intitulada “Melhoria de Infraestrutura e Saneamento”, mas chegou a financiar ações mais específicas, como obras de reformas no prédio-sede da Prefeitura.
Mensalmente, a estimativa é que a Prefeitura vá desembolsar R$ 7 milhões ao BRB ao longo desse ano.

O assunto ganha relevos mais significativos a partir do fato de que o ex-presidente do Banco, o recifense Paulo Henrique Costa, está preso por suposta corrupção envolvendo indícios de recebimento de vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele tenta negociar uma delação premiada enquanto está recluso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha.
A relação entre João Campos e o ex-presidente do banco foi decisiva para acelerar a tramitação do empréstimo, celeridade mencionada pelo ex-prefeito quando da assinatura do empréstimo: “quero agradecer ao presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, pela celeridade que com que conduziu todos os trâmites para que essa operação possa ajudar a tirar do papel projetos tão importantes para o Recife”, escreveu.

Apesar dos dados contratuais do Recife com o BRB não estarem disponibilizados nas plataformas públicas da gestão do PSB, o alto valor de juros pagos desde o fim da carência do empréstimo (janeiro de 2025) aponta para uma operação desvantajosa para a cidade: em apenas 16 meses, foram pagos R$ 71,1milhões somente com juros e correções monetárias BRB, sem contar a amortização do empréstimo em si.
O empréstimo da instituição pública pertencente majoritariamente ao Governo do Distrito Federal foi uma das principais fontes de recursos utilizadas pela gestão João Campos no ano em que conseguiu turbinar as obras no município: só em 2023, foram R$196,27 milhões utilizados. A divisão de liberação dos R$ 300 milhões ocorreu em 2022 (R$ 53,7 milhões liberados), 2023 (R$ 175 milhões) e 2024 (R$ 71,3 milhões).
No mesmo ano em que João Campos obteve o empréstimo com o BRB, sob a batuta de PH Costa, como o ex-presidente é conhecido, o ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara também obteve uma operação de crédito junto ao Banco, no mesmo valor, especificamente para obras rodoviárias realizadas no último ano de sua gestão (2022).

























