Escândalo da Clivan: Mutirão de 138 cirurgias oftalmológicas não foi autorizado, diz SMS
Clínica funcionava sem alvará sanitário para mutirões e tentou regularizar dados após desastre
Por Nauan Sacramento

Clínica Clivan Crédito: Reprodução/TV Bahia
Em mais um desdobramento do caso da clínica Clivan, denunciada na última terça-feira
(3) por cerca de 150 pessoas que relataram complicações nos olhos após passarem por procedimentos no local, a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) afirmou, nesta quinta-feira (5), que o último mutirão da instituição, realizado na sexta-feira (26), não teve autorização prévia da pasta.
Em nota para o CORREIO, a SMS afirmou que não autorizou a realização do mutirão e nem a execução dos 138 procedimentos cirúrgicos realizados. Uma auditoria identificou que a clínica tentou solicitar a autorização de oito procedimentos apenas no dia 2 de março, após o surgimento das complicações clínicas.
De acordo com a secretaria, a realização de cirurgias sem autorização prévia configura descumprimento do fluxo de regulação e da relação contratual com o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo classificada como “irregularidade gravíssima”. Como medida imediata, o alvará sanitário da unidade foi suspenso e um processo administrativo foi instaurado para apurar as condições de funcionamento e os protocolos assistenciais.
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) realizou fiscalizações na unidade e confirmou a abertura de uma sindicância para apurar a responsabilidade profissional dos médicos envolvidos. Caso sejam encontrados indícios suficientes de negligência ou imperícia, o caso avançará para um Processo Ético-Profissional, que pode resultar em sanções disciplinares.
A SMS continua o monitoramento de todos os pacientes operados no dia 26 de fevereiro e realiza o levantamento das pessoas que tiveram consultas ou exames agendados na clínica interditada, visando o remanejamento para outras unidades da rede pública.
O CORREIO tentou entrar em contato com a representação da clínica, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto.



























