Estado Islâmico estabelece regras para estupro de escravas sexuais, revela agência
O Estado Islâmico (EI) tem uma lista de normas sobre como e quando seus membros podem estuprar as mulheres escravizadas pelos extremistas, reportou nesta terça-feira (29/12) a agência de notícias Reuters. As normas estipuladas pelo Comitê de Pesquisas e Fatwas têm força de lei no território controlado pelo grupo.
Reprodução YouTube/Julianus Hammurabi

Algumas mulheres escravizadas que conseguiram escapar do EI contaram suas histórias à imprensa internacional
A lista de 15 normas estava entre os documentos apreendidos em uma ofensiva militar dos Estados Unidos em maio deste ano. A Reuters, que conseguiu acesso ao documento, não pôde verificar sua autenticidade.
Entre as regras está a proibição de um homem manter relações com duas mulheres que são irmãs ou com uma mulher que esteja menstruada ou grávida. Segundo as normas, um homem e seu filho não podem transar com a mesma escrava e a posse de uma mulher pode ser compartilhada entre mais de um homem.
“Se o dono de uma escrava, que tem uma filha suscetível ao sexo, tiver relações sexuais com a última, ele não tem mais permissão a ter relações com a mãe e esta estará permanentemente fora do seu alcance. Caso ele tenha relações com a mãe, então ele não é permitido a ter relações com sua filha”, estabelece uma das normas.
O primeiro parágrafo do documento aponta que foram cometidas violações no tratamento às mulheres escravizadas e que, portanto, foram estipuladas normas para a questão. A ONU e ONGs de direitos humanos acusam o EI de sistematicamente sequestrar mulheres e meninas a partir de 12 anos, em especial de minorias religiosas da região entre o Iraque e a Síria que tem sofrido com os avanços do grupo extremista.
Para estudiosos, tais normas ilustram mais um caso de reinterpretação do islã por parte do EI. “O islã prega a liberdade para os escravos, não o escravismo. O escravismo era o status quo quando o islã surgiu”, disse Abdel Fattah Alawari, professor de Teologia Islâmica na universidade egípcia de al-Azhar, à Reuters. “Judaísmo, cristianismo, os gregos, os romanos e os persas eram praticantes [do escravismo] e aprisionavam as mulheres dos inimigos como escravas sexuais. O islã achou essa prática abominável e trabalhou para extingui-la gradualmente”. Segundo o professor, as práticas do EI “não têm nada a ver com o islã”.


























