Estresse pode reduzir a sua longevidade; veja cinco formas de combatê-lo

De acordo com a International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR),72% dos trabalhadores brasileiros estão estressados

Por Perla Ribeiro

[Edicase]O estresse crônico libera hormônios que podem afetar a saúde articular mesmo sem lesões prévias (Imagem: Josep Suria | Shutterstock) Crédito: Imagem: Josep Suria | Shutterstock

De acordo com o relatório “World Mental Health Day 2024”, o Brasil é o quarto país mais estressado do mundo. Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 18 milhões de brasileiros sofrem com transtornos de ansiedade. A International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) também revelou que 72% dos trabalhadores brasileiros estão estressados, um nível alarmante que pode comprometer diretamente a longevidade.

Na avaliação da médica endocrinologista Jacy Alves, o estresse crônico afeta todo o organismo, aumentando os níveis de cortisol e favorecendo doenças como hipertensão, diabetes e depressão. Inicialmente, a resposta ao estresse envolve a liberação de hormônios como as catecolaminas e o cortisol, que desempenham um papel protetor ao preparar o corpo para situações de luta ou fuga.

No entanto, quando esses hormônios permanecem em níveis elevados por conta do estresse crônico, suas funções se tornam prejudiciais, acelerando a progressão de diversas doenças. “Dessa forma, o impacto cumulativo do estresse crônico sobre o organismo não apenas desgasta os sistemas corporais, mas também diminui a capacidade do corpo de se regenerar e se proteger contra novas agressões”, explica a endocrinologista.

Cada vez mais, governos e outras organizações estão se conscientizando sobre a disseminação deste preocupante problema. Nesse cenário, os profissionais de saúde estão definindo o estresse como o “assassino silencioso”. Nos últimos anos, esse fenômeno tem sido amplamente estudado, e algumas descobertas significativas foram feitas.

A principal revelação é que o estresse, em si, não é o problema central. O verdadeiro desafio reside na falta de recuperação adequada. A recuperação não apenas permite que o ser humano reponha suas energias, mas também promove o crescimento e o desenvolvimento, atuando como o gatilho para tornar o sistema mais resiliente e antifrágil.

Como o estresse acelera o envelhecimento

Estudos mostram que o estresse constante afeta diretamente as células do corpo, reduzindo a produção de antioxidantes naturais e favorecendo a inflamação crônica. Esse processo causa o envelhecimento precoce, comprometendo órgãos vitais e aumentando o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

“A exposição contínua ao estresse também pode comprometer a qualidade do sono, reduzindo a capacidade do organismo de se recuperar e equilibrar os hormônios essenciais para uma vida longa e saudável”, destaca a especialista. Gerenciar o estresse de maneira eficaz é essencial para assegurar uma vida longa e saudável.

Cinco formas de combater o estresse 

  • Praticar atividades físicas regularmente: Exercícios físicos liberam endorfinas, popularmente conhecidas como “hormônios da felicidade”, que são essenciais para o bem-estar.
  • Melhorar a qualidade do sono: Garantir um bom sono ajuda a regular os hormônios do estresse e fortalece o sistema imunológico.
  • Adotar técnicas de relaxamento: Práticas como meditação, yoga e exercícios de respiração profunda são eficazes para reduzir a tensão.
  • Alimentar-se de forma equilibrada: Adotar uma dieta majoritariamente composta por alimentos de origem vegetal, ricos em antioxidantes, pode ajudar a mitigar os impactos negativos do estresse no organismo.
  • Buscar apoio emocional: Conversas com amigos, familiares ou profissionais de saúde mental podem aliviar o estresse emocional.

Para integrar essas práticas de recuperação no dia a dia, é possível realizar atividades em diferentes níveis:

  • Nível micro:
    Reserve pequenas pausas ao longo do dia para caminhar, tomar um café ou simplesmente respirar; meditar; realizar refeições agradáveis com amigos ou familiares; e incluir exercícios aeróbicos na rotina;
  • Nível médio:
    Priorize noites de sono reparadoras e aproveite dias de folga para se desconectar e relaxar;
  • Nível macro:
    Planeje férias de acordo com suas preferências pessoais para proporcionar um descanso mais prolongado e significativo.

Essas práticas, inseridas na rotina diária, contribuem significativamente para melhorar a capacidade de recuperação e, consequentemente, lidar melhor com o estresse. “Cuidar da saúde mental é crucial para viver mais e melhor. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença na sua longevidade”, conclui a Dra. Jacy Alves.

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