Estudantes denunciam terem sido trancados dentro de escola ocupada

Segundo eles, professores e alunos fecharam as grades do prédio com cadeado, impedindo a saída dos cerca de 60 adolescentes e jovens que realizam a ocupação e a entrada de outros integrantes da mobilização contra a PEC55 e a Reforma do Ensino Médio
sala de aula vazia
Ilustração

Estudantes secundaristas que ocuparam nesta terça-feira a Escola Técnica Estadual Professor Lucilo Ávila Pessoa, na Avenida Caxangá, denunciaram, na manhã desta quarta-feira, estarem sido mantidos em cárcere privado dentro da unidade de ensino. Os alunos, que não querem ser identificados, disseram que, por volta das 9h de hoje, alguns professores e estudantes fecharam as grades do prédio com cadeado, impedindo a saída dos cerca de 60 adolescentes e jovens que realizam a ocupação e a entrada de outros integrantes da mobilização contra a PEC55 e a Reforma do Ensino Médio.

Um dos estudantes acrescentou que os docentes organizaram uma assembleia no auditório da escola para votar pela desocupação do prédio, que estaria sendo monitorado pela Polícia Militar. A comissão de estudantes acionou os advogados do movimento e a deputada estadual Teresa Leitão, presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). De acordo com a assessoria da parlamentar, Teresa tenta contato com a Secretaria de Educação para mediar uma solução para o caso.

Além da Escola Técnica Estadual Professor Lucilo Ávila Pessoa, outras 10 escolas estaduais estão ocupadas na Região Metropolitana do Recife. Somente nesta segunda-feira, alunos se mobilizaram e ocuparam as Escolas de Referência em Ensino Médio (Erem) Silva Jardim, no bairro do Monteiro, Professor Alfredo Freyre, em Água Fria, Joaquim Távora, na Madalena, e Joaquim Xavier de Brito, na Iputinga. De acordo com os participantes do movimento, na Iputinga, a Polícia Militar teria tentado entrar na unidade de ensino arrombando cadeados e ameaçando os estudantes. A informação não foi confirmada pela PM.

Outras seis unidades de ensino da rede estadual continuam fechadas, dentro dos atos de protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional. São elas: Erem Cândido Duarte, em Apipucos, Erem Martins Júnior, na Torre, Erem Ginásio Pernambucano, em Santo Amaro, Erem Porto Digital, no Bairro do Recife, Erem Professor Epitácio André Dias, em Cajueiro Seco (Jaboatão dos Guararapes), e Erem Conde Pereira Carneiro, no Centro (São Lourenço da Mata).

O 13º Batalhão da Polícia Militar negou qualquer denúncia de truculência referente à ação na Escola Joaquim Xavier de Brito. De acordo com os policiais, uma viatura está de prontidão na porta da unidade de ensino, mas a manifestação é pacífica. Ainda assim, estudantes denunciaram que foi a própria direção da escola que acionou a PM. “A escola foi ocupada e o diretor chamou a polícia para os alunos. A própria polícia está tentando entrar na escola querendo quebrar os cadeados”, explicou um estudante (identidade preservada).

As mobilizações contra a PEC 55, que tramita no Senado e deve ser votada ainda em dezembro, enraizaram por todo o país. Além das escolas estaduais, a Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal Rural de Pernambuco e até mesmo a Universidade Católica de Pernambuco estão ocupadas.

Confira a nota oficial da Secretaria de Educação do Estado

A Secretaria de Educação do Estado informa que, nesta segunda-feira (21), um grupo de estudantes realiza protesto contra a PEC 55, na Escola de Referência em Ensino Médio Joaquim Távora, no bairro da Madalena, na Escola de Referência em Ensino Médio Silva Jardim, no Monteiro, na Escola de Referência em Ensino Médio Alfredo Freire, em Água Fria, e na Escola Joaquim Xavier Brito, na Iputinga. A Secretaria vem dialogando com os estudantes que estão protestando para que as aulas ocorram normalmente, a fim de não prejudicar os demais estudantes da escola.

Fonte: DP

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