Federação é vista como avanço, mas diálogos entre legendas ainda são iniciais

Por Mari Leal / Bruno Leite
Federação é vista como avanço, mas diálogos entre legendas ainda são iniciais

Montagem: Priscila Melo / Bahia Notícias

As eleições de outubro de 2022 serão marcadas pela possibilidade de união entre siglas partidárias em federações. A mudança, aprovada recentemente, é voltada para as disputas proporcionais, nas quais não há possibilidade de coligação, de acordo com a legislação eleitoral.

Para dirigentes partidários baianos, a possibilidade representa um avanço do ponto de vista político e permite a sobrevivência, sobretudo, dos pequenos e médios partidos. Eles negam, no entanto, a existência de diálogo avançados entre as direções.

Presidente do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães avalia a possibilidade de federação como uma conquista da democracia, que permite a livre organização e articulação dos partidos.

“A federação veio resgatar esse espaço da livre articulação entre os partidos, não da organização oportunista temporal, por exemplo, que acaba às 17h do processo eleitoral. O PCdoB lutou muito por isso porque, a pretexto de combater os partidos fisiológicos, os partidos de aluguel, a legislação eleitoral criou um conjunto de elementos que obstacularizavam a permanência de partidos ideológicos na conjuntura política brasileira”, pontuou.

Já deputada federal Lídice da Mata, presidente estadual do PSB na Bahia, destaca a possibilidade de coligação entre médios e pequenos partidos. Ela avalia que é uma proposta que permite uma organização de legendas em torno de um programa mínimo, já que nesse momento compreende que é preciso reduzir o número de partidos políticos para contribuir mais com o processo democrático.

As federações têm abrangência nacional e natureza permanente, logo, deverão ser formadas por partidos que têm afinidade programática, pois duram pelo menos os quatro anos do mandato. A possível federação entre o PCdoB o PSB já foi aventada como uma das mais prováveis. Os dirigentes baianos negam.

“Não tem nada avançado de ninguém em relação a ninguém, de nenhum partido em relação ao outro. Essa coisa está zerada. O que se falou muito à época foi em fusão. Mas não foi muito adiante porque não parecia muito adequado. Eu defendo que haja uma federação não com o PCdoB apenas”, diz Lídice.

A deputada defende que os partidos de esquerda possam analisar uma federação. “PT, PCdoB, PSB, com a Rede em torno de uma só candidatura, de um só projeto. Aprovação de um programa mínimo de ação entre esses quatro partidos e outros partidos que quiserem vir no campo democrático e de esquerda.”

“Existem vários partidos e opções com identidade com o PCdoB. Além do PSB, temos o PT, o PSOL, a Rede, o PV. Ou seja, temos um leque de partidos que podem se compor a partir de uma federação. Veja que todos diziam que as federações eram pra salvar os partidos e quem mais tá se fundindo e se organizando são os grandes partidos”, diz Davidson ao pontuar que a proposta para valer em 2022 ainda aguarda a regulamentação. “Não temos ainda uma definição, a piori, de com quem fazer, isso depende do afinamento de programas e a definição de pontos em comum. A partir daí o desdobramento pode chegar a formação da federação. Esse é o próximo passo”, acrescenta Davidson Magalhães. (BN)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *