Federações são balões murchos

Opinião

Na percepção de integrantes do PT e PSB, a federação entre as duas legendas travou e dificilmente vai sair. Não pela disputa entre Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) à candidatura ao Governo de São Paulo. Essa, a maioria acha, vai se resolver, provavelmente numa chapa com Haddad na cabeça e França disputando o Senado.

Os petistas acreditam que o PSB não vai entrar na federação PT-PCdoB-PV porque seus dirigentes não querem perder poder – uma razão legítima, embora arriscada politicamente. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, continua otimista e tentará o acordo até o fim. Chegando do México, onde acompanhou o ex-presidente Lula, terá novo encontro com a cúpula do PSB.

Deputados da bancada do partido na Câmara também ameaçam pular fora, pela janela partidária, se não houver federação com o PT, que facilitaria sua reeleição. O desfecho desse (des)entendimento será decisivo para a reorganização partidária e política do País. Se apenas pequenos partidos, que precisam sobreviver à cláusula de barreira, fizerem federações, o mecanismo não vai passar no teste de perenidade como regra política.

Até agora, uma só federação se concretizou, e une o PSDB ao Cidadania, partido que deve sair da janela com apenas três deputados e dificilmente resistiria às eleições de outubro. É possível ainda que PSol e Rede tomem esse caminho, se não se sentirem seguros em relação à eleição proporcional. Outras possibilidades de federação, como a do MDB com o PSDB e o União Brasil, e deste último com o Podemos, que chegaram a ser cogitadas com entusiasmo por seus dirigentes, viraram balões murchos.

O presidente do MDB, Baleia Rossi, esclareceu, no final de semana passada, que não haverá nenhuma federação este ano. Até porque, como se sabe, ele não controla o partido – que, por si só, já é uma federação. O recém-criado União Brasil, por sua vez, ainda está às voltas com a compatibilização entre as bases estaduais e municipais do PSL e do DEM, que se fundiram.

Por: Magno Martins

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