Há 52 anos, ditadura afastou João Goulart
Golpe militar culminou no período de 21 anos de interrupção democrática
Com a oficialização da saída do PMDB da base governista e a ameaça real de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o Governo intensificou o discurso contra o “golpe”. Há 52 anos, completos nesta quinta-feira (31), o então presidente João Goulart, que também vivia um delicado momento político e econômico, sofreu um golpe militar, que culminou no período de 21 anos de interrupção democrática, denominado de ditadura militar (1964-1985). O termo “golpe” é o mesmo, mas os contextos oferecem outras interpretações.

Barbosa: “Não há a menor possibilidade de golpe no Brasil”
O historiador Antônio Barbosa, da Universidade de Brasília (UnB), e o sociólogo Victor Rodrigues, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), divergem sobre a existência do golpe e avaliam as semelhanças e diferenças de conjunturas entre as duas épocas.
Nos anos 1960, vivia-se o auge da Guerra Fria, com a polarização ideológica entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (comunismo), que influenciava domesticamente a conjuntura brasileira. Neste bojo, Barbosa avalia que estavam em jogo projetos distintos para o Brasil – à esquerda, com projeto reformista, e à direita, modernizador. Ambos não acreditam que as Forças Armadas possuam força de intervenção atualmente.
Barbosa pondera que, naquela época, as pessoas não confiavam nas instituições e nem queriam saber da Constituição. “Não há a menor possibilidade de golpe no Brasil hoje, pois tudo é regido pela Constituição”, afirma. Rodrigues, todavia, argumenta que o golpe ocorre pelo fato de se tentar destituir um governo eleito democraticamente através de mecanismos não democráticos. “Não há base jurídica sólida para o processo de impeachment, pois não há crime atribuído a presidente, embora isso possa ser aprovado no Congresso por uma questão política”, diz.
Entretanto, algumas situações se repetem: a economia frágil, o pouco apoio parlamentar e as manifestações com discurso conservadores, embora com contextos díspares. Rodrigues destaca que a diferença central é que Jango tinha um programa de reformas estruturais de base, Dilma não. “O Governo Dilma está muito aquém disso programaticamente.
O Governo Dilma ameaça muito menos os setores conservadores do que o Governo Jango, mas do ponto de vista midiático é muito mais atacado do que o de Jango”, pondera. “Outra semelhança central é a classe média que vai às ruas criticar a corrupção como se fosse algo particular de determinado Governo”, acrescenta Rodrigues. (FolhaPE)


























