‘Já tentei acordo, mas nunca quiseram’, diz filha de Alencar reconhecida na Justiça

  • Professora cobra direitos após decisão de juiz

 

EZEQUIEL FAGUNDES

 

Rosemary foi reconhecida filha de José Alencar Foto: Thiago Barros
Rosemary foi reconhecida filha de José Alencar Thiago Barros

Reconhecida pela Justiça de Minas como filha do ex-vice-presidente da República José Alencar, fundador da Coteminas, a maior empresa do setor têxtil do país, a professora aposentada Rosemary Moraes, de 58 anos, diz ter um sonho: ter uma casa própria e levar vida simples. Com um salário de R$ 1.800, Rosemary paga R$ 530 por mês de aluguel para morar modestamente em Caratinga, cidade do Vale do Aço com 85 mil habitantes, localizada a 311 quilômetros de Belo Horizonte. Separada, ela vive com seu único filho, o vendedor Gladston Miranda Neves, 30 anos, 15 deles dedicados ao serviço em uma loja de bicicletas.

Ao GLOBO, a quarta herdeira de Alencar disse ontem que já propôs à família do ex-presidente um acordo. Em troca, ela desistiria do processo de paternidade. Ela, no entanto, afirma que os advogados do ex-vice-presidente nunca cogitaram sequer marcar um encontro para ouvir uma eventual proposta.

— Já tentei um acordo, mas eles nunca quiseram. Mas jamais estipulamos valores. Não quero fortuna, desejo simplesmente morar numa casa própria e continuar levando a vida de forma simples e modesta — afirmou.

Rosemary relatou dificuldades para levar uma vida com dignidade e com o mínimo de conforto. “Graças à renda do meu filho, conseguimos pagar as contas da casa. Mas temos que suar para ter plano de saúde e regalias como TV a cabo e telefone. E sempre paguei aluguel.

A professora só não gosta de detalhar o passado.

— Estive com ele (José Alencar) duas vezes, mesmo assim, foi muito rápido. Em 1998, ele estava em campanha para o Senado. Esteve aqui em Caratinga e tive a chance de me aproximar, mas um ex-cunhado dele falou que não era a hora certa. Depois, na campanha de reeleição do Lula, ele voltou aqui na cidade. Desta vez, cheguei perto dele e falei que era sua filha. Ele respondeu dizendo que ia marcar um encontro, o que nunca aconteceu.

Sobre a guerra judicial iniciada em 2001, a professora lamenta. Mas não tem rancor.

— Queria que tudo tivesse sido resolvido com ele (Alencar) em vida. A família teve vários anos para decidir, mas agora está nas mãos de Deus e da Justiça.

No dia 27 de fevereiro, a 4ª Câmara Cível do TJMG confirmou decisão de primeira instância, de 2010, da Justiça da Comarca de Caratinga, atestando paternidade. Como o ex-presidente, morto em 2011, sempre negou se submeter a teste de DNA, o TJ presumiu a paternidade com base em depoimento de testemunhas.

Fonte: O Globo

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