Opinião
No cerne do universo que circulo, entre Brasília e Pernambuco, o que mais tenho ouvido são críticas a um ponto comum no Governo Raquel Lyra (PSDB): não falta apenas gestão, em razão de uma equipe fraca, modelo República de Caruaru. Falta, principalmente, política. Até hoje, passados 100 dias de gestão, ninguém sabe ainda quem é o articulador do Governo, o auxiliar talhado para fazer a ponte com a Assembleia Legislativa, os 25 deputados federais e os três senadores, em Brasília.
Este pecado, apesar de vir de uma escola por excelência, a do pai, o ex-governador Eduardo Campos, um craque em articulação, estômago de elefante para engolir sapos, o prefeito João Campos (PSB) também cometeu, nos dois anos iniciais, mas corrigido, há pouco, com a escolha de Aldemar Santos, o Dema, para a Secretaria de Governo. Embora oriundo de uma área técnica, o Tribunal de Contas, Dema nasceu talhado para o jogo da política.
Basta conversar com qualquer vereador do Recife, mesmo da oposição, para conferir o que estou dizendo. E sem suspeição. Sequer o conheço. Só o vi uma única vez, quando apresentado a ele por um político aqui em Brasília. Raquel tem que encontrar o seu Dema. Não se faz governo bem-sucedido errando na medida certa da política. Tome-se como exemplo a derrota dupla que o Governo sofreu na Alepe.
Por ampla maioria – 36 votos favoráveis – os deputados aprovaram, na tarde da última terça-feira, duas propostas que contrariam interesses do Governo, uma que transforma as emendas de controle do Estado em impositivas, e outra que permite autonomia ao Legislativo em matéria financeira. Se Raquel tivesse um mínimo de jogo de cintura e operasse bem a arte da sedução pela política jamais isso teria ocorrido.
Jamais um Eduardo Campos sofreria uma derrota dessa magnitude. Maquiavel ensinou que o primeiro método da gestão por excelência é o governante olhar para os homens que tem à sua volta. Um governante bem assessorado pode até contrariar o preceito básico do maquiavelismo – torna-se odiado tanto fazendo o bem como o mal.
Ensinou ainda Maquiavel que o ser humano é um animal político, seja governante ou governado.
Por: Magno Martins

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