Presidente do Democratas em Pernambuco, o ex-ministro Mendonça Filho encontrava-se em São Paulo ontem, quando o governador João Doria e o presidente nacional do DEM, ACM Neto, encontraram-se em um jantar para aparar arestas após o ex-prefeito de Salvador declarar, em entrevista à Folha de São Paulo, que não poderia descartar uma aliança com o presidente Jair Bolsonaro para 2022. Mendonça, que preside o Instituto Liberdade e Cidadania e é membro da Executiva Nacional do DEM, foi à mesa com os dois. ACM Neto foi até Doria após o governador ter recebido, em jantar no último domingo, o ex-presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, a quem convidou, na ocasião, para ingressar no PSDB. Maia entrou em rota de colisão com ACM Neto esta semana, chegando a afirmar, em entrevista ao Valor Econômico, o seguinte: “ACM Neto entregou nossa cabeça numa bandeja para o Planalto”. O imbróglio foi desencadeado pela eleição da Mesa Diretora da Câmara. E foi, exatamente, no dia da eleição, a última vez que Mendonça falou com Rodrigo. À coluna, o ex-governador de Pernambuco diz que “espera as coisas decantarem um pouco” para voltar a conversar com Maia. Mas não se furta a expressar sua avaliação sobre a conduta do correligionário. “Ele está absolutamente errado no diagnóstico e na forma de se colocar”, assinala Mendonça, fazendo referência ao tom adotado por Maia na direção de ACM Neto. Mendonça argumenta que ACM Neto “arbitrou posição que era majoritariamente pró-Arthur Lira na bancada”. E acrescenta: “Se ele (ACM Neto) deixasse o barco correr solto, teriam subscrito apoio formal ao bloco de Arthur”. Para Mendonça, “ACM Neto evitou um constrangimento público para Rodrigo Maia”. Após Arthur Lira, candidato apoiado pelo Planalto, ser eleito, o fato de ACM Neto não ter descartado entendimento com Bolsonaro gerou reação de Doria, uma vez que o DEM e PSDB. Mendonça define o encontro de ontem como uma oportunidade de “harmonizar os conflitos internos e arrumar o partido para 2022”.
Correntes no DEM
Mendonça Filho admite que, no DEM, convivem correntes internas, entre elas uma “dorista” e uma “bolsonarista”. Esta última é formada por nomes como o governador Ronaldo Caiado, além dos ministros Onyx Lorenzoni e Tereza Cristina, o que não significa, na análise dele, que Bolsonaro tenha chamado o partido para conversar. Mendonça realça que os ministros são cota pessoal do presidente.
Um rumo > Ainda sobre ACM Neto não ter descartado aliança com Bolsonaro, razão do impasse criado também com Doria, Mendonça contemporiza: “Ele não pode, como presidente, dizer qual é o caminho. Na hora certa, o partido toma seu rumo”.
Carreras vai…> O deputado Felipe Carreras reuniu-se, na tarde de ontem, com o presidente Jair Bolsonaro. Cumpriu a agenda acompanhado do presidente nacional da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), Doreni Caramori Jr. , e do ministro Gilson Machado Neto. Na pauta: o Projeto de Lei 5638/20, de sua autoria, que cria o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).
…a Bolsonaro > Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Produção Cultural e Entretenimento, Carreras terá, hoje, nova reunião sobre o tema com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, às 15h. Ontem, antes de ir a Bolsonaro, esteve com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e com o líder do Governo, Ricardo Barros. Carreras integra a ala do socialistas que declararam voto em Lira, a despeito de o PSB ter orientado voto em Baleia Rossi.

























