Por Larissa Rodrigues
Uma eventual saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar, seria vista com naturalidade pela deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), que também é uma das fundadoras da Rede. As duas estão rompidas desde 2022 e protagonizam uma disputa interna e outra judicial pelo comando da legenda.
As divergências têm origem tanto em diferenças programáticas quanto na relação com o Governo Federal. Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e aceitou fazer parte da gestão do presidente Lula (PT) como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.
Heloísa Helena foi a entrevistada de ontem (3) do podcast, comandado por Magno Martins, e não titubeou ao relembrar o início da Rede Sustentabilidade e sua contribuição para a fundação do partido.
“Eu era presidente nacional do PSOL, portanto, não estava precisando de um partido. Comecei a coletar assinaturas do zero para ajudar a ministra (Marina Silva) a fazer a Rede. Pedi demissão da Universidade Federal de Alagoas para ir para o Rio de Janeiro para também apoiar a Rede. Infelizmente, as coisas internamente ficaram de uma determinada forma, não tem nada de pessoal nisso. É uma concepção distinta, ideológica, do que é ambientalismo, do que é socialismo, de como se dão as construções partidárias”, afirmou Helena.
A deputada ressaltou que tem a consciência absolutamente tranquila de que fez tudo o que precisava fazer, sem negligenciar nada na disputa interna e, demonstrando que não fará esforço algum para manter Marina Silva na Rede, comentou: “as pessoas têm que se acostumar também a perder”. “Eu já perdi tanto e nem por isso fui para a imprensa esculhambar quem ganhou de mim a eleição”, enfatizou.
“Já perdi e já ganhei. Infelizmente ou felizmente, nos dois últimos congressos da Rede, o nosso agrupamento ganhou. Eu simplesmente tenho que ter tranquilidade, não vou me ajoelhar para beijar a mão de ninguém. Fizemos a luta correta internamente e a vida é assim”, disparou Heloísa Helena.
Heloísa Helena é enfermeira, professora e ex-senadora. Ela voltou ao Congresso Nacional depois de 18 anos afastada do Parlamento, assumindo por seis meses a vaga do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), suspenso pelo Plenário da Câmara por quebra de decoro. A retomada do mandato devolveu ao Congresso uma das figuras mais combativas da política brasileira, conhecida por enfrentar tanto o Centrão quanto seus próprios aliados, em embates com o PT, o PSOL e, agora, a Rede Sustentabilidade.
Indefinição sobre Lula – Crítica ao presidente Lula (PT), Heloísa Helena evitou opinar sobre um eventual apoio da Rede à reeleição do petista. Ao ser questionada sobre o tema, a ex-senadora se resumiu a dizer que o partido vem debatendo internamente o conteúdo programático, para só depois definir o nome que apoiará ao Palácio do Planalto. “A gente ainda está debatendo na Rede, não tem condição de falar, até porque eu também sou dirigente nacional do partido. Estou estabelecendo também junto com o Paulo Lamarck, que é o novo porta-voz nacional da Rede, que corresponde ao presidente. Então a gente vai debatendo isso internamente, discutindo o programa e depois vamos discutir os nomes que serão apresentados”, respondeu.



























