Nicolás Maduro e esposa são capturados após ataque dos EUA à Venezuela, diz Trump

Explosões atingem Caracas, governo venezuelano nega prisão do presidente e decreta estado de comoção exterior

Por Fernanda Varela

Nicolás Maduro e Donald Trump Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil e TheWhiteHouse/Fotos Públicas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Segundo o republicano, Maduro e a esposa teriam sido retirados do país por via aérea após a operação.

A declaração foi publicada nas redes sociais de Trump, que não informou para onde o casal foi levado. O presidente norte-americano disse ainda que dará mais detalhes sobre a ação em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, no horário de Brasília.

Horas antes do anúncio, uma sequência de explosões foi registrada em Caracas, capital venezuelana. De acordo com a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves voando baixo e correria em diferentes bairros da cidade.

Parte de Caracas ficou sem energia elétrica, especialmente nas áreas próximas à base aérea de La Carlota, no sul da capital. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando a região durante a madrugada.

O governo da Venezuela confirmou que o país foi alvo de um ataque, mas negou que Maduro tenha sido capturado. Em comunicado, as autoridades informaram que o presidente assinou um decreto que declara estado de comoção exterior em todo o território nacional e convocou forças sociais e políticas para ativar planos de mobilização.

No texto, o governo venezuelano afirma que a medida busca garantir o funcionamento das instituições e responder ao que classificou como agressão imperialista. Caracas também acusou os Estados Unidos de tentar tomar recursos estratégicos do país, como petróleo e minerais, e impor uma mudança de regime.

A nota oficial diz ainda que a Venezuela se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou países da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade diante da escalada do conflito.

Escalada de tensão

A pressão sobre o governo venezuelano se intensificou nos últimos meses. Em agosto, os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro e reforçaram a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, Washington afirmou que a mobilização tinha como foco o combate ao narcotráfico, mas, ao longo do tempo, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo seria a derrubada do governo venezuelano.

Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone em novembro, sem avanços. No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista e acusaram o presidente venezuelano de liderar o grupo. Reportagens da imprensa internacional também apontaram que o governo americano se preparava para uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.

Segundo o The New York Times, os Estados Unidos demonstram interesse nas reservas de petróleo do país, consideradas as maiores do mundo. Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros venezuelanos e ampliaram o bloqueio a embarcações alvo de sanções, em meio ao agravamento da crise entre Washington e Caracas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *