Atender à pauta dos grevistas pode ter sido ruim para as contas públicas, mas não atendê-la seria pior

O presidente Michel Temer foi muito criticado por economistas por ter atendido 90% da pauta dos caminhoneiros. Esse “excesso de benevolência”, dizem os seus críticos, representará um rombo de 10 bilhões no Orçamento Geral da União, já que o governo se comprometeu a pagar à Petrobrás aquilo que ela deixará de faturar com a redução do preço do diesel até o final do ano. Todo mundo sabe que Temer é um governante fraco e cercado de vulnerabilidades por todos os lados. Mas para pôr fim a uma greve que causou transtornos à nação inteira, não lhe restava outro caminho senão atender à pauta dos grevistas.
Simplesmente criticá-lo por ter cedido à pressão dos caminhoneiros é um falso debate. Pois ou o presidente faria isto ou corria o risco de ser derrubado pelo povo nas ruas. Lembre-se que quando ele apareceu na TV, domingo à noite, para anunciar o acordo com os grevistas, foi alvo de “panelaço” em várias cidades, imagine se o acordo não tivesse sido feito. Atender à pauta dos grevistas pode até ter sido ruim para as contas públicas, mas não atendê-la poderia ser pior. O fato é que o Brasil nunca tinha passado por uma greve dessa dimensão, que o privou de praticamente todos os tipos de serviços. Fica portanto comprovado que o país não suportará uma segunda greve de caminhoneiros. Os transtornos à população e os prejuízos causados à economia são muito altos para serem suportados.


























