O fim melancólico de Silvinei Vasques e Carla Zambelli

 

Por Larissa Rodrigues 

Considerados “bolsonaristas raiz”, aqueles mais alinhados ideologicamente ao líder do grupo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques e a ex-deputada federal Carla Zambelli terminam o ano de 2025 de forma melancólica e amargando as consequências de suas ações para beneficiar Jair e família.

Silvinei foi preso na madrugada de ontem (26) no aeroporto de Assunção, no Paraguai, com documentos falsos, tentando fugir do país e embarcar em voo com escala no Panamá e destino final em El Salvador. Carla Zambelli está presa na Itália e apanhou mais de uma vez das detentas no presídio, segundo relatos do senador Magno Malta (PL-ES).

Ambos “compraram” a ideologia bolsonarista, se beneficiaram dela e tentaram burlar as regras democráticas para que o grupo de Jair Bolsonaro se mantivesse no poder. Hoje, estão presos, com futuros incertos e absolutamente abandonados pela família Bolsonaro. O clã sequer se manifestou a respeito da prisão de Vasques.

Já Carla Zambelli foi “jogada ao vento” por atribuírem a ela a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022, depois que a ex-deputada perseguiu pelas ruas de São Paulo um apoiador do presidente Lula (PT) com uma arma, na véspera do segundo turno daquele ano. “A Carla Zambelli tirou o mandato da gente. Ela tirou o mandato da gente”, disse Bolsonaro em entrevista a um podcast em março deste ano.

Tanto Vasques quanto Zambelli se deixaram levar por ideias tresloucadas do grupo político do qual faziam parte e agora enfrentam a Justiça. Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 16, a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele ficou conhecido por comandar operações da PRF no dia do segundo turno de 2022, especialmente no Nordeste, para dificultar o deslocamento de eleitores do presidente Lula e interferir no pleito.

Carla Zambelli foi condenada por unanimidade no STF, em maio deste ano, por invasão de sistemas e pela adulteração de documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A pena fixada foi de 10 anos de prisão em regime inicial fechado e multa no valor de dois mil salários mínimos. Zambelli ainda teve decretada a perda do seu mandato parlamentar, declarada pela Câmara.

Tornozeleira – Assim como seu ex-líder, Jair Bolsonaro, Silvinei Vasques estava submetido ao uso de tornozeleira eletrônica no Brasil, mas rompeu o equipamento e deixou o país sem autorização judicial. Depois da constatação do rompimento, autoridades brasileiras emitiram alertas às forças de segurança nas fronteiras, o que levou à localização e à prisão do ex-dirigente. O equipamento ficou sem sinal de GPS na madrugada de 25 de dezembro e, horas depois, também perdeu a comunicação por GPRS, tecnologia que transmite os dados de monitoramento pela rede celular.

Agressões na prisão – A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi agredida pelo menos duas vezes na prisão em que está detida em Roma, na Itália, desde o mês de julho, segundo relatos do senador Magno Malta (PL-ES). As agressões ocorreram por parte das outras detentas do presídio feminino de Rebibbia, onde aguarda o processo de extradição para o Brasil. As agressões vieram a público após Malta discursar durante o Culto Grande Clamor pelo Brasil, na última segunda-feira (22), quando afirmou que a ex-parlamentar teria sido atacada por detentas.

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