Operação contra o clã dos Bezerras inviabiliza a candidatura de Miguel Coelho ao Senado
Do Blog Luiz Neto
A operação deflagrada ontem pela Polícia Federal colocou o clã Bezerra no centro de uma investigação que já produz forte impacto político em Pernambuco. A PF apura suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares por meio do direcionamento de licitações para empresa ligada ao núcleo investigado, além de possível pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Foram expedidos 42 mandados pelo Supremo Tribunal Federal, cumpridos em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Entre os investigados estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, o deputado federal Fernando Filho, além do empresário Pedro Garcez e da empresa Liga Engenharia. As defesas informaram que só irão se manifestar após acesso aos autos.
No campo jurídico, trata-se de investigação. No campo político, o abalo é imediato.
Miguel vinha sendo cortejado nos bastidores tanto pela governadora Raquel Lyra quanto pelo prefeito do Recife, João Campos, dentro das articulações para 2026. Seu capital eleitoral no Sertão e a força de Petrolina o colocavam como peça estratégica em qualquer composição majoritária, especialmente na disputa ao Senado.
O cenário muda drasticamente.
Uma candidatura ao Senado exige estabilidade política e baixa rejeição. Uma operação dessa dimensão gera desgaste contínuo e transforma o nome envolvido em foco permanente de questionamentos. Em vez de somar, passa a representar risco.E em eleição majoritária, risco elevado contamina chapa.
Hoje, qualquer aliança que incorpore Miguel Coelho precisará calcular o peso político da investigação. O que antes era ativo eleitoral pode se tornar fator de vulnerabilidade.
A sucessão de 2026 ganha um novo desenho. E, neste momento, o projeto de Miguel ao Senado enfrenta um obstáculo difícil de contornar: a inviabilidade política produzida pelo timing da operação.


























