Opinião: PSB dá adeus a Geraldo

Opinião
A um ano da eleição, no PSB, partido que detém o poder em Pernambuco, o cenário é de indefinição quanto ao candidato do partido que será posto à mesa para disputar a sucessão do governador Paulo Câmara. Ex-prefeito do Recife, respondendo hoje por Suape (a pasta que dirige se resume ao porto), Geraldo Júlio deixou de ser o nome natural. Abandonado pelo próprio partido – nem sequer aparece nos atos do Governo no Interior –, parece ser carta fora do baralho.
Criou incompatibilidades com Deus e o mundo. Não está bem com o governador, perdeu a interlocução no âmbito familiar (leia-se Renata Campos e herdeiros de Eduardo), deixou de ter voz ativa no núcleo duro do PSB, e o mais grave, que o levou a tornar público, reiteradas vezes, que não é candidato: não aparece uma só voz em defesa das acusações que levaram sua imagem para o fundo do poço.
Tudo começou com as sete operações da Polícia Federal em sua gestão para apurar desvios de recursos federais da covid. No comando de Suape, não consegue emplacar uma só licitação, postas abaixo por suspeitas de direcionamento ou superfaturamento pelos órgãos de controle. De paparicado quando detinha o poder e parecia ser o sucessor natural de Eduardo (até no vestuário imitava o ex-governador vestindo camisas brancas), Geraldo se transformou em indigente político.
Sumiu da mídia, ninguém fala mais em sua candidatura, virou um burocrata que bate ponto na pasta que dirige. Quando deu a primeira nota da suposta desistência, não apareceu uma só voz, nem dentro do partido, para choramingar sua atitude. Esperava que houvesse uma reação conjunta dos líderes da Frente Popular para lhe buscar em casa como a tábua de salvação. Não houve. Nem João Campos, a quem ajudou eleger como sucessor, abriu a boca e não se manifesta mais em favor da sua candidatura.
Isolado, Geraldo virou um político sem torcida dentro do seu próprio grupo. Não tem sequer tarefeiros para cumprir missões indesejadas. Maquiavel dizia que o primeiro método para estimar o tamanho de uma liderança política é olhar para os homens à sua volta. A política não se faz com uma pessoa só. É por isso que é imprescindível prestar atenção nos grupos que constituem um projeto de candidatura majoritária.
Os grupos de poder e partido, no PSB e no conjunto da Frente Popular, abandonaram o ex-prefeito. Preferem lembrar os nomes de Zé Neto, secretário da Casa Civil, do deputado Tadeu Alencar, e da secretária de Infraestrutura, Fernandha Batista. Maquiavel também ensinou que a política sem amor nos deixa egoístas, e a fé sem amor nos torna fanáticos. Para exercer a política e a fé, devemos pensar nos outros com empatia e com compaixão. Senão, seguiremos apenas os nossos interesses e objetivos.
Geraldo esqueceu os princípios básicos de Maquiavel.
Por: Magno Martins
























