“Ostentação” se escondeu em aldeia indígena

Ex-prefeita diz à PF que se escondeu em aldeia indígena no Maranhão

A ex-prefeita de Bom Jardim (MA) Lidiane Leite da Silva (sem partido), que se entregou à Polícia Federal depois de ficar 39 dias foragida, disse em depoimento que estava escondida em uma aldeia indígena na própria cidade que governou.

Investigada por desvios milionários nas verbas da educação e famosa por ostentar um estilo de vida luxuoso nas redes sociais, Lidiane encerrou as buscas que a PF fazia por ela se entregando ontem. O advogado dela, Sérgio Muniz, diz que a ex-prefeita nunca deixou a cidade.

Lidiane Leite assumiu a prefeitura aos 22 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Ex-prefeita se entregou após 39 dias foragida
(Foto: Reprodução)

Mas o delegado da PF Ronildo Lajes, responsável pelo caso, acredita que a fala é uma manobra da defesa. “Isso de ela estar lá na cidade não existe. Isso foi manobra do advogado para querer dizer que ela não estava em fuga”, afirmou ao G1. “Foram feitas diversas diligências lá no município. Ele (o advogado) chegou a dizer que ela não estava lá e que ela estava governando lá. Isso não existe. Ela sabia que era procurada. Todo mundo estava atrás, fazendo diligências. Ele, simplesmente, quis negar que ela estivesse foragida”, completa.

A PF acredita que Lidiane estava em uma propriedade rural em outra cidade. O delegado acrescenta ainda que a defesa busca com essa estratégia encobrir a participação de amigos ou parentes no sumiço da ex-prefeita.

“Ela disse que estava numa aldeia indígena de Bom Jardim, mas essa possibilidade a gente acredita que é remota, e a gente acredita que ela possa estar tentando esconder uma pessoa que pudesse estar ajudando”, afirma.

Entenda o caso
A PF investiga transferências feitas da conta de prefeitura para a conta pessoal de Lidiane em um montante de R$ 40 mil ao longo de um ano, realizadas em parcelas de R$ 1 mil. Além disto, a conta do advogado da prefeita também recebeu transferências de mais de R$ 200 mil em menos de um ano.

Lidiane foi eleita pela primeira vez em 2012, aos 22 anos. Na época, o então namorado da jovem, Beto Rocha, teve a candidatura impugnada ao ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, informa o G1 Maranhão. A garota assumiu o lugar dele e venceu as eleições.

A prefeita então passou a compartilhar fotos da nova rotina nas redes sociais, ostentando uma vida de luxo. “Eu compro é que eu quiser. Gasto sim com o que eu quero. Tô nem aí pra o que achem. Beijinho no ombro pros recalcados”, escreveu Lidiane em seu perfil pessoal no Facebook.

Ela já tinha sido afastada do cargo três vezes – em abril de 2014, por 30 dias, após denúncias de improbidade administrativa. Lidiane retornou ao posto em 72 horas, após obter liminar na Justiça. O segundo afastamento aconteceu em dezembro de 2014, e pedia um afastamento de 180 dias.

A terceira vez foi em maio de 2015. Ela também retornou ao cargo em 72 horas nesta ocasião.

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