Pacientes ao chão e corredores lotados: o caos instalado no Hospital de Base

Do pronto-socorro à internação, pacientes e acompanhantes denunciam atendimento precário, sobrecarga e demora em cirurgias urgentes

Maitê Doreto, do Metrópoles

Superlotação, cirurgias adiadas e atendimento improvisado, do pronto-socorro à internação. É esse o relato de pacientes que aguardam atendimento no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) nos últimos dias.

Corredores ocupados e falta de previsão para procedimentos encaminhados como urgentes são rotina de quem está internado ou acompanha pacientes no hospital. Os casos ouvidos pela reportagem mostram problemas que vão desde atendimento no pronto-socorro, condições de internação e espera por cirurgias.

Mais de uma semana de espera

De Águas Lindas de Goiás, um casal procurou o Hospital de Base após atendimento inicial na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade no Entorno do DF. A mulher buscou ajuda após sofrer um deslocamento do cotovelo e fratura na cabeça durante um acidente de moto.

Segundo o relato, ao chegarem à UPA, o braço foi apenas imobilizado e a orientação foi de aguardar por uma cirurgia, que é considerada urgente, mas a estimativa para o atendimento ultrapassava um mês.

Diante da gravidade, a família decidiu buscar atendimento no DF. No Hospital de Base, a necessidade da cirurgia foi confirmada. Entretanto, o procedimento já foi cancelado duas vezes.

Durante a espera, a paciente permaneceu com dores intensas, além de relatar formigamento e perda de sensibilidade no braço. “Só chegam novos pacientes, mas não há solução para quem já está internado”, afirmou o marido.

A cirurgia foi iniciada apenas na tarde dessa quarta-feira (23/4), após dias de incerteza. Segundo o relato, foi a primeira vez que a paciente recebeu preparo completo para o procedimento. Anteriormente, chegou a ser orientada a jejuar, mas após horas sem comer, recebeu a recomendação de voltar a se alimentar, visto que não passaria pela cirurgia “tão cedo”.

Segundo o acompanhante, o cenário no hospital é de absoluta sobrecarga. Corredores lotados com pacientes que aguardam procedimentos sem previsão definida enquanto novos casos continuam chegando.

Dores intensas e medicamento no corredor

No pronto-socorro, os relatos também expõem dificuldades, com superlotação e estrutura insuficiente para demanda.

Outro caso acompanhado pela reportagem envolve uma adolescente de 17 anos que deu entrada na unidade de saúde na noite de quarta-feira (22/4) com fortes dores renais. Ela foi diagnosticada com um cálculo renal de 6 centímetros que obstrui o rim, e seis nódulos no órgão.

No corredor do hospital, sentada em uma cadeira enquanto recebe medicação, a jovem aguarda pela cirurgia de um cateter duplo J. De acordo com a tia dela, Isabele Teles, técnica de enfermagem, a paciente só conseguiu deitar após conseguir um leito, informalmente e não pelo hospital.

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