Para defesa, uso de delação cancelada reforça falta de provas contra Lula
A acusação de corrupção e lavagem de dinheiro feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Lula no caso do apartamento tríplex em Guarujá (SP) contém uma informação que só aparece no esboço da delação do empresário Léo Pinheiro, sócio da empreiteira OAS.De acordo com o jornal Folha de São Paulo, as negociações com Pinheiro foram rompidas em agosto pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com a alegação de que houve quebra de confidencialidade.
Para a defesa do petista, o uso de informações de um acordo de delação premiada que não foi efetivado confirma “inequivocadamente” que os procuradores da Operação Lava Jato apresentaram denúncia “sem qualquer prova” contra o petista.
No depoimento, Léo Pinheiro afirmou que a empreiteira descontava os repasses que fez para o imóvel de uma espécie de conta-corrente que a empresa mantinha com o PT, usada para pagar propina de obras da Petrobras.
Para os investigadores, Lula e sua mulher, Marisa Letícia, receberam vantagens da OAS que somam R$ 3,7 milhões – além da reforma do apartamento, a construtora teria pago para armazenar bens do petista quando ele deixou o Palácio do Planalto.
Segundo a denúncia, esse montante foi abatido de um valor de R$ 87,7 milhões, que a OAS teria pago por conta de duas obras em que foi contratada pela estatal, nas refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Presidente Vargas, no Paraná.
Em nota, advogados do ex-presidente afirmam que, na “falta de qualquer prova contra Lula, os subscritores da denúncia recorreram às suas próprias ‘convicções’, baseadas em uma implacável perseguição pessoal e política contra o ex-presidente”.
“Para disfarçar essa situação, usaram a suposta narrativa de uma inexistente delação premida de Léo Pinheiro”, diz o texto assinado pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.
Os defensores contestam ainda o uso de um termo de declarações do ex-deputado federal Pedro Corrêa, condenado no mensalão e na Lava Jato, que ainda não foi homologado pela Justiça. Em depoimento no dia 1º, Corrêa afirmou aos investigadores que o mensalão e o petrolão são um esquema só.



























