Pesquisa acende luz amarela

Por Magno Martins

A pesquisa Atlas Intel, com Flávio Bolsonaro (PL) encostando em Lula (PT), mostra o presidente ainda na liderança do primeiro turno, mas com sinais de preocupação para sua campanha de reeleição. No cenário principal, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem expressiva que o mantém como favorito.

Os demais candidatos aparecem bem atrás e não alteram o eixo central da disputa neste momento. A vantagem de Lula, contudo, caiu de confortáveis 14 pontos em janeiro para 7 pontos agora. Nos cenários de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem rigorosamente empatados, com 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio.

Isso indica que os eleitores dos candidatos menores, ao serem forçados a escolher entre os dois polos, tendem a migrar majoritariamente para Flávio Bolsonaro — o que faz sentido, já que a maioria desses candidatos é alinhada ideologicamente com o campo bolsonarista.

O padrão, aliás, é muito semelhante ao que Tarcísio de Freitas vinha apresentando nos cenários de segundo turno ao longo dos últimos 15 meses — ora ligeiramente à frente, ora ligeiramente atrás de Lula, mas sempre numa faixa de empate técnico. A coincidência não é casual: sugere que o eleitorado potencial de Tarcísio já migrou integralmente para Flávio Bolsonaro e que o teto do campo bolsonarista no segundo turno permanece essencialmente o mesmo, independentemente do nome que o represente.

O retrato final é de um país altamente polarizado, com pouca permeabilidade entre os dois campos e com margens estreitas decidindo o jogo. Para Lula, a equação é clara: precisa chegar ao primeiro turno com pelo menos 10 pontos de vantagem para garantir uma vitória confortável no segundo turno, já que a migração dos votos dos candidatos menores tende a favorecer o campo adversário.

Com sete pontos de vantagem hoje, o caminho existe, mas é estreito. Se ao longo da campanha Lula conseguir recuperar parte da aprovação perdida nos últimos meses — o que o precedente de 2022 sugere ser possível para incumbentes —, a vantagem no primeiro turno pode se ampliar o suficiente para tornar o segundo turno menos incerto.

GESTÃO LULA – Na avaliação presidencial, a Atlas registra oscilação dentro da margem de erro: a aprovação do Governo Lula vai de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação passa de 50,7% para 51,5%. Não há ruptura, mas há um leve deslocamento negativo. Outro dado relevante é o índice de rejeição. Lula aparece com 48,2% de rejeição, contra 46,4% de Flávio Bolsonaro, mostrando que ambos carregam níveis elevados de resistência no eleitorado.

 

RACHADO AO MEIO – A pesquisa também mediu o sentimento de medo ou preocupação em relação aos possíveis resultados eleitorais. Perguntados sobre qual cenário causa mais preocupação, 47,5% disseram temer a reeleição de Lula, enquanto 44,9% afirmaram temer a eleição de Flávio Bolsonaro. Combinados com os índices de rejeição, esses números retratam um país dividido praticamente ao meio, onde o voto é cada vez menos uma adesão entusiasmada e cada vez mais uma escolha contra o adversário.

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