PMDB em batalha dupla contra a filiação de FBC


O PMDB de Pernambuco decidiu instaurar duas frentes de batalha contra a entrega do comando do partido ao senador Fernando Bezerra Coelho, egresso dos quadros do PSB. A primeira está sendo travada no campo político. Já houve manifestação da executiva estadual considerando “inaceitável” a forma como o senador ingressou no partido, e hoje haverá um segundo repúdio por parte do diretório estadual.

Entrada de Bezerra no PMDB causa mal-estar. Formadores de opinião acham que entrar no PMDB foi a pior opção

Amanhã, Jarbas Vasconcelos discursará na Câmara Federal cobrando respeito à secção pernambucana, que sempre foi, historicamente, uma das mais combativas e respeitadas do partido. A segunda batalha, de natureza jurídica, terá início assim que o presidente Romero Jucá intervir na direção regional, para afastar o vice-governador da presidência, a fim de substituí-lo pelo senador petrolinense. Advogados do PMDB sabem que a justiça geralmente não se intromete em questões internas dos partidos. Mas como a secção de Pernambuco tem diretório constituído, e não comissão provisória, decidiram arriscar. Vão requerer judicialmente que Raul Henry permaneça presidente, já que foi reeleito recentemente para ficar no cargo pelos próximos três anos.

Se Fernando Bezerra Coelho quisesse entrar no PMDB como “soldado”, seria muito bem aceito por Jarbas Vasconcelos, que o considera um “político de estatura, que engrandece o Estado pela sua afirmação, desenvoltura, capacidade e competência”. Mas como entrou como “general”, a executiva estadual está tentando cassar-lhe a “patente”.

FBC não conta com o apoio de nenhum dos parlamentares do PMDB: Jarbas, Kaio Maniçoba, Tony Gel, Ricardo Costa e Gustavo Negromonte. Kaio tem suas raízes em Floresta, que sofre influência de Petrolina. Mas entre o senador e o vice-governador Raul Henry, fez opção por este último.

Quem conhece o senador Romero Jucá sabe que de ingênuo ele não tem nada, muito pelo contrário. Mas acreditar que o PMDB-PE, sob o comando de Fernando Bezerra Coelho, terá candidato próprio ao governo estadual, não deixa de ser ingenuidade. Aliás, candidato pode até ter, mas a chance de vitória é ínfima.

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