Prefeito João Campos chega à última semana da sua gestão sem entregar de kits escolares e uniformes referentes ao ano letivo de 2026
A Prefeitura do Recife chega ao 2º quadrimestre do ano letivo, amanhã, mantendo o cenário de atraso na entrega dos novos uniformes e dos kits escolares dos 111 mil alunos da rede, matriculados em 429 unidades escolares de responsabilidade da Secretaria de Educação.
De acordo com dados da execução orçamentária extraída do portal Tome Conta, do TCE-PE, e conferidas pelo Blog, foi registrado até ontem a chegada de 12,2% dos kits escolares e 2,4% dos novos uniformes encomendados. Dos R$ 35 milhões encomendados com os kits e os fardamentos, apenas R$ 3,3 milhões foram efetivamente recebidos.

O atraso marca a última semana da gestão do prefeito João Campos (PSB) à frente da Prefeitura do Recife num momento de fragilidades expostas no setor, como reivindicação por aumentos salariais, falta de auxiliares e rodízio nas creches e descumprimento da promessa de pagamento de parte dos precatórios dos professores e demais beneficiários, que ocorreria no dia 15 de fevereiro.
A encomenda dos kits escolares foi realizada junto à empresa Master Indústria e Comércio Ltda., de São Paulo, que esse ano não passou por licitação. A gestão municipal optou por renovar a contratação do ano passado, totalizando uma encomenda de R$ 27,042 milhões. Desses, R$ 3,31 milhões tiveram a sua liquidação atestada, ou seja, já chegaram ao estoque da Secretaria de Educação do Recife, que fica na Muribeca, Jaboatão, liberando logo em seguida para distribuição nas unidades de ensino por Região Político Administrativa (RPA). A remessa que chegou teve o atesto de recebimento assinado na última sexta-feira (27) e se refere aos kits dos IV, V, VI, VII e VIII. Os kits dos módulos I, II e III ainda estão zerados, conforme o portal de acompanhamento.

No caso dos uniformes escolares, o atraso é ainda maior. Dos R$ 8,78 milhões contratados junto a duas empresas – a Engaja e a Guerra e Dantas -, de Caruaru e Jaboatão dos Guararapes, respectivamente, houve apenas a liquidação de R$ 209,8 mil, que representa 2,4% do total de uniformes comprados. Os dois maiores lotes, totalizando R$ 6,67 milhões (Guerra e Dantas), ainda não tiveram nenhum recebimento de produtos por parte da Secretaria de Educação, conforme os dados da execução orçamentária.


No início de março, uma mobilização de mães e responsáveis por crianças matriculadas na rede municipal foi registradas nas redes sociais do prefeito. “Cadê o material e o fardamento das crianças na rede municipal? Cadê o aumento do salário dos professores? Para que as crianças não fiquem prejudicadas no ensino por conta de greve”, afirmou Lilian Santos. Já Wilma Melo ironizou: “cuidar de dar os materiais escolares das crianças e o fardamento que é bom, nada, né?”
Em nota enviada ao Jornal do Commercio como resposta a uma matéria publicada em dois de março, havia “a entrega dos kits escolares ocorre de forma escalonada desde janeiro, com conclusão prevista até o fim de março. Segundo a pasta, a distribuição começou pelas turmas dos anos finais e seguirá o cronograma até contemplar todas as etapas de ensino”.


























