Por Larissa Rodrigues
O primeiro mês de 2026 chegou apenas à metade, mas os nomes que devem se enfrentar na busca pelo Governo de Pernambuco, em outubro deste ano, já lidam com dificuldades de imagem que, se não cuidadas com agilidade e eficácia neste momento, podem complicar as campanhas mais à frente. A governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), ganharam repercussões negativas na mídia nos últimos dias e acabaram oferecendo pratos cheios para suas oposições.
Uma reportagem do portal de notícias Metrópoles, publicada esta semana, expôs que a empresa de ônibus do pai da governadora, o ex-governador João Lyra Neto, opera de forma irregular no Estado desde o início da gestão da filha. O governo estadual é o responsável pela fiscalização do setor.
Um documento da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) obtido pelo Metrópoles revelou que os veículos rodam sem vistorias há, pelo menos, três anos e com atraso no pagamento da Taxa de Certificado de Registro Cadastral (CRC), exigência relacionada à segurança dos passageiros. Ontem (15), o mesmo portal divulgou que Raquel Lyra integrou o quadro societário da Logo Caruaruense.
Além disso, este blog descobriu que a empresa deve quase R$ 1 milhão em impostos à União. De acordo com dados do aplicativo da dívida ativa, a Logo Caruaruense deve R$ 904.217,63 em impostos. Os dados são públicos e qualquer pessoa que baixar o aplicativo poderá ter acesso. As informações sobre a Logo Caruaruense depõem contra a imagem de seriedade da governadora, que figurou no episódio como aquela que protege a empresa do pai de fiscalizações obrigatórias, mesmo estando em risco a segurança dos clientes.
A oposição foi rápida. O presidente em exercício da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Rodrigo Farias (PSB), cobrou explicações públicas de Raquel Lyra após as denúncias, destacando a contradição entre o discurso do Estado e a prática de sua estrutura administrativa. “Enquanto a EPTI multa e apreende veículos de trabalhadores e motoristas de Toyotas no Agreste, fecha os olhos para as irregularidades cometidas pela empresa do pai da governadora”, afirmou.
Já o deputado estadual Romero Albuquerque (UB) formalizou denúncia no Tribunal de Contas de Pernambuco e no Ministério Público (MPPE). Para Romero, o grave não é apenas a irregularidade, mas a omissão do governo, “que deveria fiscalizar e punir, mas resolveu fechar os olhos quando o assunto envolve gente próxima ao poder”. “Já que é da família, não fiscaliza. Isso fere a moralidade, a legalidade e o respeito com o povo pernambucano”, disparou.
O prefeito do Recife, João Campos, presidente nacional do PSB, segue sendo criticado nas redes sociais desde que um candidato à vaga de procurador no concurso da prefeitura, que ficou em 63º lugar na disputa, quase levou a vaga do primeiro colocado na categoria de pessoas com deficiência (PcD). Não fossem as pressões sociais, o primeiro colocado perderia a vaga. A prefeitura cedeu e reverteu a decisão. Mas João continua sendo chamado de “fura fila”, mesmo depois de ter se pronunciado sobre o caso.
O episódio deixou em João Campos a imagem de alguém que tentou beneficiar o filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e de um juiz que anulou, em novembro de 2025, a Operação Barriga de Aluguel, que investigava desvios de recursos na prefeitura. A oposição também procurou o MPPE. O vereador Eduardo Moura (Novo) protocolou, ontem (15), representação por crime de responsabilidade contra João na Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital.



























