Silencioso e difícil de detectar: quais os sintomas do câncer raro que matou ex-paquito aos 57 anos

Doença que atinge o intestino delgado costuma evoluir de forma silenciosa e pode ser diagnosticada tardiamente, como no caso de Robson Barros

Por Carol Neves

Robson Barros, ex-paquito da Xuxa Crédito: Reprodução/Redes sociais

O ex-paquito Robson Barros morreu aos 57 anos em decorrência de um adenocarcinoma de duodeno, um tipo raro de câncer que atinge a primeira porção do intestino delgado. A informação foi confirmada pelo amigo de longa data e também ex-companheiro de Xou da Xuxa, Egon Júnior, conhecido como Gigio.

Segundo Gigio, o diagnóstico foi feito anteriormente e o tratamento chegou a apresentar sinais de melhora. No entanto, em janeiro deste ano, houve retorno da doença, que já havia evoluído com metástase.

O que é o adenocarcinoma de duodeno?

O adenocarcinoma de duodeno se desenvolve nas células glandulares do duodeno, região responsável por dar continuidade ao processo digestivo iniciado no estômago. É ali que ocorre parte importante da absorção de nutrientes, vitaminas e outras substâncias essenciais ao organismo.

Apesar de ser o tipo mais comum de tumor nessa região, o adenocarcinoma de duodeno ainda é considerado raro no conjunto dos cânceres do sistema digestivo. Dados do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (National Cancer Institute) apontam que os tumores do intestino delgado representam cerca de 3,8% das neoplasias malignas digestivas. Entre os casos primários dessa área, de 25% a 50% são adenocarcinomas, com maior incidência no duodeno.

Um dos principais desafios da doença é o diagnóstico tardio. Em muitos pacientes, os sintomas só aparecem quando o tumor já está em estágio avançado e começa a dificultar a passagem de alimentos pelo intestino.

Quais sintomas da doença?

Os sinais mais comuns incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, prisão de ventre e sensação de queimação semelhante ao refluxo.

A investigação costuma começar com avaliação clínica e histórico do paciente, seguida de exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética e endoscopia digestiva alta. A confirmação, no entanto, depende de biópsia, quando o tecido é analisado em laboratório.

No caso de Robson Barros, o avanço da doença incluiu metástase, condição em que células cancerígenas se espalham para outras partes do corpo, tornando o tratamento mais complexo.

Tem tratamento?

As opções terapêuticas variam conforme o estágio e a condição do paciente. A cirurgia é uma das principais abordagens, podendo envolver a retirada parcial ou total do duodeno. Em casos mais avançados, pode ser indicada a cirurgia de Whipple, que remove o duodeno, a vesícula biliar e parte do pâncreas.

Também podem ser utilizadas quimioterapia e radioterapia, tanto para controlar a progressão da doença quanto para reduzir o risco de recidiva.

O prognóstico depende diretamente do estágio em que o câncer é identificado. Quando localizado, as chances de tratamento são melhores. Já em casos com disseminação, o controle da doença se torna mais difícil.

Por ser um câncer frequentemente silencioso no início, especialistas reforçam a importância de atenção a sintomas persistentes do sistema digestivo e da busca por avaliação médica diante de sinais de alerta.

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