Substituto de Milton Ribeiro, atual ministro tentou nomear pastor lobista no MEC
Cargo na secretaria-executiva do MEC teria salário base de R$ 10.373,30

O ministro Victor Godoy Veiga, que substitui Milton Ribeiro no Ministério da Educação (MEC), tentou nomear o pastor Arilton Moura em um cargo comissionado na pasta em 2020. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.
O líder religioso em questão está envolvido no escândalo que derrubou Ribeiro, pois, junto com o também pastor Gilmar Santos, é acusado de cobrar propina – até em barras de ouro – a prefeitos para destravar recursos do MEC, mesmo sem terem qualquer cargo no governo federal. Em um áudio vazado, o próprio ministro admitiu que priorizada pedidos de amigos de Gilmar, a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo documentos aos quais a Folha teve acesso, por meio da Lei de Acesso à Informação, quando ainda era secretário-executivo no MEC, Victor Godoy solicitou o cargo para Arilton no dia 17 de novembro de 2020, através do ofício 696/2020. O número dois da Educação queria nomear o pastor como gerente de projetos de sua secretaria, com um salário base de R$ 10.373,30.
De acordo com o jornal, além do ofício, as tratativas para nomear o líder religioso envolveram ainda o encaminhamento de mais seis documentos à Casa Civil, tais como declarações de idoneidade moral, reputação ilibada, currículo e ausência de vínculos que pudessem configurar nepotismo.
Apesar de não ter conseguido nomear Arilton Moura, Victor Godoy incorporou em sua equipe no Ministério da Educação um advogado ligado aos pastores. Segundo a Folha, Luciano de Freitas Musse foi nomeado gerente de projetos em abril de 2021 e só foi exonerado no fim de março, após Milton Ribeiro ser demitido. Luciano, inclusive, integrava a comitiva dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e esteve presente em ao menos três encontros oficiais com o ex-ministro antes de ocupar oficialmente um cargo no MEC.
Por meio de nota, a pasta argumentou que o advogado foi indicação de Milton Ribeiro. “Após [Arilton Moura Correia] ter sua indicação negada pela Casa Civil, o então ministro indicou o senhor Luciano Musse para assumir a mesma função”, diz o comunicado. “Informamos que o cargo em questão, apesar de estruturalmente estar ligado à Secretaria-Executiva da instituição, foi prontamente colocado à disposição do então ministro em sua assessoria”, acrescenta.


























