Superintendente da Sudene cobra união política para destravar a Transnordestina

Por Magno Martins
Depois de anos de paralisações, mudanças de projeto e sucessivos adiamentos, o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, disse ontem, em entrevista ao podcast de Magno Martins, que os estudos exigidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o trecho da Transnordestina entre Salgueiro e Suape serão contratados ainda neste semestre. “A gente tem a leitura de que a estrada deverá ter seu início logo, logo”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Francisco reconheceu que Pernambuco perdeu tempo no processo. Segundo ele, após a devolução do trecho pernambucano pela concessionária, foram consumidos dois anos apenas para formalizar a cisão do contrato, antes do início da nova fase do projeto. Ao detalhar o estágio atual da ferrovia, explicou que a contratação dos estudos técnicos marca o começo dessa etapa. “Perdemos dois anos do ponto de vista da discussão da estrada”, admitiu. “Os 350 quilômetros estão sendo iniciados com a contratação dos estudos”, acrescentou.
Questionado sobre a percepção de que o Ceará conseguiu avançar mais rapidamente na implantação da ferrovia, o superintendente evitou atribuir o cenário a um lobby político, mas fez um apelo pela união das lideranças pernambucanas. “O que nós temos que fazer aqui em Pernambuco é a unidade de todos em defesa da estrada”, pontuou, acrescentando que pretende reunir as forças políticas após o período eleitoral para discutir formas de acelerar o empreendimento.
Francisco também rebateu avaliações de que a Sudene perdeu protagonismo. Embora tenha admitido que o órgão já não desfruta da mesma visibilidade de décadas passadas, sustentou que a instituição continua exercendo papel central no desenvolvimento regional. “O protagonismo existe na medida em que nós administramos os fundos”, ressaltou, ao destacar que a autarquia administra cerca de R$ 70 bilhões em recursos destinados a financiamentos e investimentos no Nordeste.
Ao defender a retomada da Transnordestina, o superintendente afirmou que a ligação do ramal ao Porto de Suape faz parte de uma estratégia nacional de logística e competitividade. “A estrada é importante para a estratégia do Brasil de inserção no contexto mundial”, declarou, argumentando que a ferrovia ampliará a capacidade de escoamento da produção do Centro-Oeste e do Matopiba para mercados internacionais.


























