TJSC decide contra aliado de Marçal suspeito de sumir com 40 caminhões
Mentorado de Pablo Marçal, empresário Vanderson de Melo é acusado de dar calote em empresa e sumir com 40 caminhões

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu contra o empresário Vanderson de Melo, mentorado do ex-coach Pablo Marçal e dono do Grupo Brasil Novo, no âmbito de processo em que é acusado de sumir com 40 veículos alugados e fazer de tudo para escondê-los ou fraudar suas placas para não serem resgatados. O caso foi revelado pelo Metrópoles.
Vanderson de Melo foi processado por uma gigante do setor de logística após alugar os 40 veículos, ainda em 2020, e dar um calote milionário na empresa.
Na tentativa de fugir dos credores e da justiça, o mentorado de Pablo Marçal passou a esconder os caminhões ou levá-los para lugares afastados da sede de sua empresa. Ele também é suspeito de fraudar as placas dos veículos – dessa maneira, o caminhão roda, e os credores nunca o encontram.
Na ação de reintegração de posse, a gigante do setor de logística conseguiu recuperar parte dos bens. No entanto, em agosto deste ano, Vanderson de Melo obteve decisão favorável que lhe permitia pegar de volta os caminhões apreendidos, sob a justificativa que o Grupo Brasil Novo estaria em recuperação judicial e os veículos seriam essenciais para o funcionamento da empresa.
Agora, o TJSC reformou a decisão que favorecia o mentorado de Pablo Marçal e manteve os caminhões sob a posse da credora.
“Em que pese as Agravadas [Grupo Brasil Novo] tenham como atividade o transporte de mercadorias, o que evidenciaria a relevância dos bens apreendidos (caminhões acima destacados), pode-se verificar, em uma análise sumária do feito, que referidos caminhões se encontravam escondidos há meses em um galpão, sem uso, conforme se depreende de laudo do oficial de justiça”, assinalou o desembargador José Maurício Lisboa, em seu voto, no último dia 11.
“Feitas essas considerações, somado ao risco de dano existente por parte do credor que, pela segunda vez, realiza a apreensão dos bens, em discussão desde 2022, o acolhimento do presente reclamo se faz imperativo”, prosseguiu o magistrado. O acórdão foi aprovado por unanimidade pelo TJSC.
Quem é Vanderson de Melo, o mentorado de Pablo Marçal
O mentorado de Marçal foi seu apoiador de campanha eleitoral, esteve em eventos do pleito à Prefeitura de São Paulo, incluindo debate em televisão, e até pescaria. Assim como o “mentor”, Vanderson se considera influenciador e dá palestras sobre sua história de “sucesso”.
“Ele era motorista de caminhão. Hoje, ele tem uma das maiores empresas da América Latina de logística. Esse ano de 2024, já vai bater 2 mil placas de carreta, caminhão, os trem doido (sic)”, disse Marçal sobre o mentorado, durante palestra a seguidores.
Em uma rede social, Vanderson de Melo se apresenta como motorista de caminhão, investidor, palestrante, empreendedor entusiasta e fundador Grupo Brasil Novo.
Em um vídeo n0 Instagram, ele mostra o veículo “frota zero um”, que seria o símbolo de sua trajetória de sucesso. Vanderson de Melo conta ter trocado, em 2001, um Corsa pelo caminhão, que, aos poucos, foi sendo restaurado. Seria o início do Grupo Brasil Novo. O exemplo de prosperidade inspira seus pouco mais de 4 mil seguidores.
Vanderson de Melo também já participou de um evento do movimento Legendários, que promove retiros espirituais exclusivos para homens e que já atraiu famosos, como os influenciadores Eliezer e Gustavo Tubarão, o investidor Thiago Nigro, o pregador Deive Leonardo e o empresário Kaká Diniz, marido de Simone Mendes.
Segundo a organização, o Legendários é um projeto que busca ajudar homens a se reconectarem com seus propósitos, promovendo transformações pessoais que impactam também suas famílias e comunidades.
Empresário diz que Grupo Brasil Novo enfrenta crise financeira
Em junho, após o Metrópoles revelar o caso, Vanderson de Melo correu para as redes sociais a fim de se justificar. Disse que a empresa entrou em um “blackout financeiro” e que estuda até encolher a estrutura.
Não comentou o caso das trocas de placas de caminhões, nem apreensões da polícia, mas disse que não há “nada além” da crise financeira vivida pela empresa. “Estamos tomando todas as medidas possíveis por todas essas barbaridades que estão falando por aí”, pontuou.
“Quando se faz algo que tem uma trajetória de sucesso, ninguém dá muita importância. Agora, quando acontece qualquer deslize ou qualquer momento pontual realmente de dificuldade, todo mundo joga a primeira pedra”, afirmou.


























